segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

PERDÃO


Eu, receptador do pecado alheio,
Cúmplice do gozo efêmero,
Co-autor consciente de inúmeras copulações,
Réu confesso do beijo, da arte e dos vôos para o nada.

Incentivador dos "vaga-mundos" e das "vaga-dias"
Repouso a mente cansada deste mundo do ter
No ventre das meretrizes que nada me cobram.

Deito aqui sobre o chão neste réquiem que vela
Minhas utopias vivíssimas, as lágrimas em virtude
Dos que não pude salvar.
Aqui choro, ao vê-los mortos, zumbis de sua própria exisistêcia... de terno, e gravata voraz, violenta, atando o pescoço do infame.
De cadernos nos seios, passos de colibri, a mente um Saara, um Saara.
Perdoa-me Deus, estes não pude salva-los!

4 comentários:

Van disse...

Forte!
Perfeito!
Como sempre.
Impressionante.

Beijucas

Coincidência: meu penúltimo post tem o mesmo título: PERDÃO!
VAN FILOSOFIA!

Thiago Assis disse...

As duas primeiras estrofes caberiam perfeitamente a um dos meus personagens do blog, "o desperdiçado"
=]


Gostei, gostei.

MARCOS disse...

cara, escreve bem você. e, não costumo analisar poesia, mas esta é de arependimento. não é?
ab

Antonio Sávio disse...

Obrigado Marcos. Apareça mais vezes meu caro. Será sempre bem vindo.