quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Existência



O vento sopra forte nas noites de inverno,
A chuva fere a epiderme da terra
Nas noites quentes de verão.
Levitam no outono as folhas-libélulas...
Primordial, as cores violentas nos prados.

Quem és aí vós, no meio dessa orquestração
De cores, sons, cheiros...
Quem és no reflexo do sol nas penas dos pássaros,
Quem és no instante que orvalho levita
Na pétala tão rubro-rósea-nívea?

És a vida e sentido, o logos, a essência
És a medula, o nervo que vibra,
A sinapse da idéia,
O fogo da pira,
És o supra-sumo da imanência.

És o que exala e contém,
Na existência e no vazio,
O que existe de amor,
Em meu seio e em minha consciência.

Foto: Nina Linhares

5 comentários:

Karla Thayse disse...

Lindo...
Tuas palavras conseguem unir intensidade e leveza.

Obrigada pela visita, vlte sempre.

Tenha uma linda semana!

Beeijo

Tempestade disse...

Quanta honra ter uma foto minha ilustrando um poema tão lindo..Adorei..Abraços. ;D

Elnath disse...

sublime, intenso!

VIEIRA, Vanessa Gonçalves disse...

Magnífico! Adorei sua poesia! Volterei mais vezes! Abraços

Arcoiris No Horizonte disse...

Destino ou Casualidade: As vidas se cruzam

Estou aqui como sempre pra visitar, mas aproveito e agradeço sua visita e responder sua pergunta sobre o Eldenê.
Paulo, aos 8 anos eu fui bulida por um rapaz, você entende? não quero dizer o termo grosseiro...Preservei-me de qualquer sentimento de sensualidade ou sexo, eu agia como se a unica função da parte íntima era fazer xixi. De repente ali sentada sem nenhum sonho, apenas olhando as formigas carregarem pedacinhos de folhas, admirando suas forças e ao mesmo tempo tão frágeis perante os seres maiores, eu escuto que vou ser esposa, mulher, deitar, casar, ser bulida, beijada, passou-se um turbilhão de pensamentos que nem pensei se ia pisar nas pobres formigas e dirigi-me até lá de onde vinha voz, mas ia quase voando, pois não sentia meus pés, minha vontade era de bater tanto nele, mas ao olhar aquele moço franzino, pequeno, faltando um olho, muito embora eu reparei primeiro pra sua boca depois o detalhe do olho, ou sei lá o que realmente me fez parar e reagir com indiferença que já era minha marca. A petulância veio do achar atrevimento demais já me ver e pensar em tocar-me, entendeu? Em minha cabeça não era elogio, mas ao vê-lo de perto e olhar pro seu olhar e ouvir sua história, contou que dias antes de viajar sonhou a mesma cena que acabara de ver, e deu detalhes do meu vestido que não era visível pra quem estivesse onde ele se encontrava. Eu vestia um vestido amarelo com listas finas brancas e abaixo do peito tinham 4 fitas azuis horizontais...
Escreverei sim um conto, pois toda minha vida é parte de contos, onde nunca precisarei usar a fantasia ou acrescentar emoção.