sexta-feira, 10 de outubro de 2008

CISMAS


Nas cismas do homem, como quem mexe com gravetos nas cinzas de uma recente fogueira.
Malina alí o poeta. Nas gavetas do ser, nos porões da alma está sua instância...
O doce das rimas, os brilhos dos vocábulos são meros floreios quando frente aos pântanos do espírito.
Defronta então nesta caminhada seus medos, seus segredos e dores, como os canos enterrados servindo como veias da cidade.

Sopra a poeira dos séculos mudos, como os vendavais sopraram os ponteiros dos loucos relógios que corriam feito as pás dos moinhos nas paisagens da Holanda.

Faz de teu verso, algo além de um cântico, mas sim uma oração onde expurga os pecados.
E eleva-nos aos degraus utópicos da perfeição

Desfaz-se desta máscara de cera. Pois a poesia é isso: dor em segredo, luz sobre as frestas, inferno e talvez paraíso.

2 comentários:

FINA FLOR disse...

taí, talvez o poeta seja apenas um homem que cisma com as cousas ;o)

beijos, querido e obrigada por sua visita, volte sempre que quiser

MM.

Van disse...

Saudades.
Beijucas