domingo, 18 de abril de 2010

Hiato

As vozes que ainda murmuram na madrugada
Na velocidade dos carros, nas avenidas, artérias urbanas
Coagula em meu peito, meu rosto, minha força de homem
E sangram pelos meus olhos negros femininos.
São brados tão mudos e ouvidos atentos
Tão surdos de cores nessa vida em escalas de cinza
Acho que nada das sobras teremos para o jantar
De velas que sepultam as dores que me chegam pelos olhos
E espalham-se dentro da alma, feito luz
Refletida no prisma.
Nada das sobras e muito das sombras
Eu tenho para meditar e medir
Como se eu fosse uma régua de dores
Para mensurar o que dói no espaço vazio
Entre você e eu.

Foto: Antonio Carlos Castejón

3 comentários:

Profº Júnior Lima disse...

Uhuu!! Até fiquei arrepiado. Grande Sávio, cada dia melhor. Tá na hora de pensar e articular um projeto maior e mais ambicioso. Suas poesias estão cada vez mais vivas (usei o termo por falta de outro melhor). Um grande abraço!

Antonio Sávio disse...

Obrigado pela visita nobre Júnior. Sempre um prazer tê-lo aqui pelo blog. A respeito da possibilidade de algo maior eu ainda estou pensando se já é chegada a hora. Mas um dia sai...cedo ou tarde. Um abraço.

Antonio Sávio disse...

Obrigado pela visita nobre Júnior. Sempre um prazer tê-lo aqui pelo blog. A respeito da possibilidade de algo maior eu ainda estou pensando se já é chegada a hora. Mas um dia sai...cedo ou tarde. Um abraço.