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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Qualificações Acadêmicas


Não à toa, a Academia "se tornou o local onde a ignorância é levada às últimas conseqüências" (by Millôr). É que aqueles que deveriam zelar pela sua qualidade são os primeiros a cultivar corporativismos, facilidades burocráticas ou mesmo baixo proselitismo. "Aqueles que deveriam zelar", alguém pergunta, "quem são?". Os professores, ora essa! Eles mandam naquilo, ou assim deveria ser, e mandando, assumem necessariamente aquilo que vem com o poder: a responsabilidade. Eles dão o exemplo. Mas Pedro Sette-Câmara nos comenta um caso assaz interessante...

Por Pedro Sette-Câmara
Ando de metrô aqui no Rio quase todos os dias. E quase todos os dias penso que vou morrer, porque as pessoas se aglomeram nas portas, e, apesar de eu ser um sujeito pacífico, sou obrigado a empurrar alguém para entrar, o que faço, admito, sem grandes pudores. Afinal, não existe exatamente um dilema entre eu me atrasar e algum boçal ficar lambendo a porta do trem só porque acha isso gostoso.

Mas bem, nem é desse grave problema civilizacional que quero falar. Quero contar, compartilhar uma coisa que vi essa semana. Dirijo-me como um ser civilizado ao famoso centro do carro e vejo que, sentado, um homem tira da mochila uma apostila, dessas com espiral. É um trabalho acadêmico. É um trabalho de conclusão de curso, e o curso é um MBA do IBMEC. O autor do trabalho é uma mulher.

Em coisa de dois minutos (sim, eu contei) o sujeito folheia o trabalho, saca um papel, e o preenche com a nota — 7,5 — e uma justificativa. Eis que chegamos à estação do Catete. Mais um trabalho de conclusão de curso, assinado por Daniel Sobrenome Whatever (lembro bem, posso dizer qual era, upon request), sai da mochila do sujeito, e, assim que chegamos à estação seguinte, a da Glória, após menos de dois minutos, temos mais uma nota: 7. Não, um momento: enquanto ele preenchia a justificativa da nota, achou melhor alterá-la para “aprovado sujeito a modificações”.

Sei por experiência que corrigir trabalhos é chato, e não pouco. Sempre pensei que, dando aula regularmente, só daria provas e daria a meus alunos um número máximo de caracteres ou de palavras, a fim de que eles não fossem prejudicados pela minha falta de paciência com as embromações acadêmicas. Mas, hélas, também já gastei horas escrevendo trabalhos, e já gastei muito dinheiro com aulas. Não foi para que meus trabalhos fossem corrigidos entre a Glória e o Catete. O que vi pode ter sido um caso isolado. Só para garantir, recomendo que você torre a paciência do seu professor. Você pagou, ele recebeu. A melhor maneira de começar a melhorar a educação brasileira é fazer com que o professor saiba que cada movimento dele é impiedosamente analisado.

Retirado de PedroSette.com.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Lançamento – Como ler um livro, o clássico de Mortimer Adler


sexta-feira, 18 de junho de 2010

Morre, aos 87 anos, o escritor português José Saramago

Autor de 'Ensaio sobre a cegueira' era vencedor do Prêmio Nobel.
Nota em seu site fala 'múltipla falha orgânica após prolongada doença'.

Do G1, com agências internacionais.

O escritor português José Saramago morreu aos 87 anos em sua casa em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, nesta sexta-feira (18). A informação foi divulgada pela família do escritor de "Ensaio sobre a cegueira" e confirmada em seu site oficial.

"Hoje, sexta-feira, 18 de junho, José Saramago faleceu às 12h30 horas [horário local] na sua residência de Lanzarote, aos 87 anos de idade, em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença. O escritor morreu estando acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila", diz uma nota assinada pela Fundação José Saramago e publicada na página do escritor na internet.

O autor de "O evangelho segundo Jesus Cristo" e "Ensaio sobre a cegueira" vivia em Lanzarote desde 1993 com sua esposa, a jornalista Pilar del Río. Nos últimos anos foi hospitalizado em várias oportunidades, principalmente devido a problemas respiratórios.

Expoente da literatura mundial
O escritor português era um dos maiores nomes da literatura contemporânea e vencedor de um prêmio Nobel de Literatura no ano de 1998 e de um prêmio Camões - a mais importante condecoração da língua portuguesa.

O autor era tido como o criador de um dos universos literários mais pessoais e sólidos do século XX e uniu a atividade de escritor com a de homem crítico da sociedade, denunciando injustiças e se pronunciando sobre conflitos políticos de sua época.

Entre seus livros mais conhecidos estão "O evangelho segundo Jesus Cristo", "A balsa de pedra" e "A viagem do elefante". O mais recente romance publicado pelo escritor foi "Caim", de 2009.

"Ensaio sobre a cegueira" foi levado às telas em um produção hollywoodiana filmada pelo cineasta brasileiro Fernando Meirelles (de "Cidade de Deus") em 2008.

No mesmo ano, uma exposição sobre o trabalho de Saramago foi exibida no Brasil. "José Saramago: a consistência dos sonhos" trazia cerca de 500 documentos originais e outros tantos digitalizados, reunidos em um formato que, misturando o tradicional e a tecnologia moderna, levavam o visitante a uma agradável e rara viagem pela vida e pela obra do escritor português.

Veja, abaixo, uma lista de romances escritos por Saramago
"Terra do pecado"
"Manual de pintura e caligrafia"
"Levantado do chão
"Memorial do convento"
"O ano da morte de Ricardo Reis"
"A jangada de pedra"
"História do cerco de Lisboa"
"O Evangelho segundo Jesus Cristo"
"Ensaio sobre a cegueira"
"Todos os nomes"
"A caverna"
"O homem duplicado"
"Ensaio sobre a lucidez"
"As intermitências da morte"
"A viagem do elefante"
"Caim"

Fonte: G1

terça-feira, 15 de junho de 2010

Como Parecer Culto


Por Marcelo Maroldi

Atualmente, temos livros sobre praticamente qualquer assunto que se deseja ler. Há livros sobre as aranhas vermelhas do norte do Amazonas e sobre abduções extraterrestres de pessoas albinas, sobre gastronomia nas ilhas Faroe e sobre como conquistar garotas nas baladas GLS da Turquia. Absolutamente tudo tem um livro correspondente. Nos últimos anos, principalmente, tornaram-se comuns os livros for dummies ou "aprenda em 10 lições"... Os últimos que vi tratavam de ensinar como parecer culto, um intelectual, como se portar em museus, teatros, exposições, como conversar sobre literatura, sobre cinema e sobre artes plásticas e parecer que entende do assunto. Não, não é piada, leitor (e eu juro que gostaria que fosse). Você não precisa entender nada de literatura!, basta comprar o livro e fingir que entende. É uma fraude intelectual!

Antes de prosseguir, é importante dizer que estes livros não têm como proposta ensinar o básico do assunto, não é isso! Estes livros têm como objetivo apontar o que você precisa falar quando te perguntarem de literatura, por exemplo, se é que alguém te pergunta isso (aliás, se alguém te pergunta sobre este assunto, favor me apresentar tal pessoa). Por isso soa como piada! É quase um teatrinho: os autores mostram o que você precisa dizer e você não precisa estudar o assunto, basta repetir laconicamente o que te mandarem dizer. Minha crítica não é contra quem escreve e publica tais livros, eles têm, provavelmente, interesses econômicos. Agora, comprar um livro desse?, tenha santa paciência (aliás, expressões populares não devem constar no livro, elas não combinam com gente culta).

É difícil você encontrar alguém que admita ler tais livros, afinal, não é elegante ler tal literatura. O legal é você dizer que sabe tudo de literatura porque já leu muitos livros, lê revistas especializadas, participa de cursos, freqüenta uma biblioteca pública, e não porque comprou os "10 livros que você precisa saber falar quando te perguntarem de literatura". Entretanto, caso você conheça alguém que lê esses livros e o questionar, ele dirá, provavelmente: eu não tenho tempo para ler o que eu gostaria de ler. É claro que eu não irei discutir o assunto, cada um sabe o que fazer com o seu próprio tempo. Porém, acredito que quem lê um livro como este – e que, portanto, precisa ou deseja saber falar do assunto – deveria arrumar tempo para estudá-lo. Se a pessoa não arruma tempo para estudar o assunto, é porque não deve encará-lo como importante para sua vida. Ah, e se não o encara como importante, não deveria querer falar sobre ele e se importar com isso.

Tudo bem, tudo bem! A pessoa tem todo o direito de falar sobre filmes clássicos se quiser, mesmo que não saiba nada disso. E daí ele compra o livro. Mas, por que essa necessidade de parecer culto? Por que todo mundo atualmente tem que ser especialista em absolutamente tudo? Por que não posso dizer que não entendo nada de teatro russo, ou de cubismo? Isso vai radicalmente contra tudo o que vejo nessa minha vida. As pessoas estão cada vez mais estúpidas, fúteis e despreparadas, por que, então, devo me preocupar em me mostrar culto e discutir com elas? Por que todo mundo precisa ser culto? É muito raro encontrar pessoas intelectualizadas de fato, por que preciso ler teatro russo for dummies? Talvez, sendo assim, mostrar-me (mais) culto que elas parece demonstrar que sou melhor que as mesmas. Só isso. É quase uma competição e vence quem mostrar ser mais culto.

Dentre os assuntos que você precisa conhecer para não ser considerado um inculto (e para vencer essa competição bizarra), temos um interessante: filosofia, que está na moda. Hoje, proliferam-se cursos (não acadêmicos) de filosofia, livros de filosofia para leigos, artigos em jornais, revistas, etc. Antigamente, somente era necessário citar Marx para estar adequado. Agora, não! Se você não conhecer uma meia dúzia de filósofos, vai ter que apelar para os livros de auto-ajuda, como os supracitados. Colaboram para isso obras como O mundo de Sofia, a popularização (sic) do assunto, como o (péssimo) quadro "Ser ou não ser", do Fantástico e a presença de filósofos na televisão, como a Márcia Tiburi no Saia Justa. Embora a iniciativa seja louvável, filosofia não é algo que se aprende em poucos meses. Não é algo imediato e tampouco trivial. É necessário anos de dedicação debruçados sobre um mesmo autor para poder dizer que o conhece. Então, como é que as pessoas discutem filosofia? A moda entre a classe alta é discutir filosofia, e eu pergunto: qual?, o quê?, como assim? O sujeito assiste o Café Filosófico (TV Cultura) e sai dizendo que estuda filosofia? Um professor meu na Unicamp dizia que era preciso se dedicar 4 horas por página de obra filosófica para entendê-la. É claro, leitor, que ele estava brincando... 4 horas é muito pouco! A maioria das pessoas que conheço não lê 4 horas num semestre todo (incluindo a leitura das bulas de remédio e do horóscopo), como poderiam então conhecer e discutir este assunto em profundidade? Antigamente, a moda era dizer que se estudava crítica literária. A elite paulistana, por exemplo, enchia os cursos particulares sobre o assunto, pagando preços altos para ver nomes conhecidos lecionarem. Acho que a crítica literária ficou muito simples, todos já sabem tudo a seu respeito, e por isso partiram para a filosofia. Deve ser isso...

Outro assunto que você não poderá negligenciar é o cinema. Mas, não, não o Hollywoodiano. Tem que ser filmes de arte, aqueles que não passam na TV e nem na maioria dos cinemas comerciais. Cinema francês, ou Afegão, ou mesmo Bollywood já serve. O que não pode é não gostar de nenhum deles, desconhecer os nomes dos autores e diretores e odiar filmes "parados". Isso é uma falha irreparável!

Teatro, claro, é assunto indispensável. Mas não pode ser qualquer peça. Comédia, nem pensar. Precisa ver os clássicos, ou os de vanguarda, tão de vanguarda que quase não se entende nada. Aliás, esse é o ponto! Quanto menos inteligível, melhor é.

Na música, não se pode, jamais, dizer que se ouve pagode, axé ou sertanejo. Isso é inadmissível! É necessário gostar de MPB (por sorte, é um campo vasto demais para se complicar ao dar uma opinião), Bossa Nova e, se possível, música clássica. Seu Jorge, Los Hermanos e Lenine somam pontos também.

Sobre televisão, há 2 opções válidas: dizer que assiste (e então dizer o que assiste) ou dizer que não assiste, que também vale. Se decidir por dizer que assiste, tais (e somente estes) programas podem ser citados: Manhattan Connection, Roda Viva, Café Filosófico, Entrelinhas, [re]corte cultural, Conexão Roberto D’Ávila, Boulevard Brasil, Observatório da Imprensa, jornalismo em geral (preferencialmente CNN ou BBC).

É necessário, também, conhecer algumas pessoas e o que elas fazem ou falaram. Se você citá-los então, é perfeito! A minha lista tem: Diogo Mainardi, Olavo de Carvalho, Ferreira Gullar, Michel Melamed, Chico Buarque, 1 diretor de cinema, 1 diretor ou ator de teatro, 1 político de esquerda (PSOL, se possível), 1 filósofo qualquer, 1 poeta pouco conhecido, 1 artista plástico (vale parente ou vizinho), 1 teólogo qualquer (teologia da libertação não vale, está fora de moda), 1 jornalista que escreva para um grande jornal e 1 artista não reconhecido, mas "com muito talento" e que vai "estourar".

Na internet, você deve mencionar Le Monde e El Pais, Primeira Leitura e revistas similares, site do Canal Brasil, portais de cultura (literatura, música, etc) contidos nos grandes sites e alguns blogs de escritores, jornalistas. E você pode citar este Digestivo Cultural também, claro.

Uma outra característica que causa muita boa impressão é citações e comparações que pouca gente conhece. Por exemplo, dizer que um pensamento ou alguém é muito cartesiano (anticartesiano é melhor ainda!), ou que o behaviorismo radical é insustentável ou que a escola chilena de filosofia é muito interessante vai deixar a maioria das pessoas impressionada. Calma! Mesmo que você também não saiba o que seja isso, ninguém vai ousar te perguntar e demonstrar não sabê-lo, e em último caso, você diz que é um assunto muito denso para aquele momento e que vocês podem marcar um café qualquer dia desses (e, evidentemente, não marque!). A propósito, marcar de bebericar cafés em livrarias é algo típico da pessoa culta. Anote aí.

Se você fizer tudo isso vão te achar inteligentíssimo, creia-me. Para completar a fraude, meus amigos, falta só um detalhe: o seu perfil do Orkut! Sim, isso é muito importante. No seu perfil, você deve acrescentar todas as comunidades das personalidades acima e dos assuntos também. Comunidades como "Teatro Ucraniano moderno", "Bach" ou "Gothic Poetry" ajudam muito. Depois, peça a uns amigos seus (uns 3 ou 4) para escreverem depoimentos a seu respeito. Os depoimentos devem mencionar sua cultura vastíssima, suas viagens para o Egito e seus tempos de Universidade Pública, curso de teatro, aquele mico no Louvre ou namoro com personalidades. E, finalmente, o golpe final: sua autodescrição. Essa precisa ser matadora, como algo bem abstrato (um neosartreano em busca da consciência plena), romântico (procurando alguém pra dividir os sonhos) ou culto mesmo(gosto de Stravinsky e estudo Piaget...). É batata, pessoal! Se você for "solteiro", vai chover amigos querendo te conhecer melhor!

Isso sim é uma receita de fraude! Vão te achar culto! E eu nem cobrei nada por isso... Boa sorte!

Fonte: http://www.digestivocultural.com

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Bruno Tolentino e a lição de Ezra Pound

Fonte: Portal Literal 1.0, Rio de Janeiro (RJ) · 14/8/2008 · 16 votos · nenhum

Publicado originalmente em 24/08/07 por Pedro Sette Câmara.

Bruno Tolentino sempre repetia uma frase famosa de Pound: "Devemos escrever poesia pelo menos tão bem quanto prosa", o que significa que a poesia deve ser pelo menos tão clara e cristalina quanto a melhor prosa, e, se for digna do nome, conseguir ser ainda mais impactante.

Mas outra frase famosa de Pound era o imperativo "fazer o novo", tradução um tanto bizarra para make it new, que em bom português daria algo como "tornar algo novo" ou até, com alguma aparente perda de ênfase, "renovar algo". Digo "aparente" porque faço uma leitura muito pessoal de Pound, com a qual creio que Bruno Tolentino concordaria: é irresistível lembrar que Cristo é o Logos divino, o Verbo, a Palavra anterior a toda palavra, e que Ele mesmo disse: "Eis que faço novas todas as coisas." O próprio Pound também dizia que literatura era news that stays news, e um tradutor cristão, sofrendo pela feliz ambigüidade entre "a novidade que continua a ser novidade" e "a notícia que permanece notícia", não tem como não se lembrar da permanente boa-nova, nada menos que o Evangelho. Não creio que Pound fosse gostar de ser batizado assim, mas nada nos impede de aproveitar desta maneira o que ensinou.

Voltando ao estranho "fazer o novo", este entendimento peculiar do crítico Pound, talvez corroborado pelos muitos estranhos versos que o poeta Pound deixou, agravou um dos grandes vícios brasileiros, que é o anseio desmedido por novidades, a disposição de trocar a primogenitura pelo primeiro camembert que apareça na alfândega, desde que seja o camembert da moda em Paris. O desejo específico de "fazer o novo" veio, como Tolentino argutamente observou em Os sapos de ontem, abortar uma tradição brasileira que se estabelecia e que já não devia nada aos chamados "grandes centros".



Esta tradição brasileira, ou tradição de língua portuguesa falada no Brasil, tinha como característica a proximidade da linguagem comum. Árcades e românticos buscavam comunicar-se com os leitores. Ao fim do século XIX, surgem os primeiros grandes poetas "à parte", como Augusto dos Anjos e Cruz e Sousa, mas este se distancia pela busca do sublime e pela ênfase sonora, e aquele pelo desejo de usar, ou abusar, de termos científicos e esotéricos, tudo em musicalidade baudelariana: o verdadeiro Frankenstein nacional. Ainda assim, um monstro com cara de homem, um grande poeta. É apenas quando os concretistas começam a produzir obras ininteligíveis, animados pelo desejo de "fazer o novo", e não de renovar a linguagem efetivamente usada pelas pessoas, que o adjetivo na expressão "literatura moderna" ganha mais peso que o substantivo.

Rimbaud já tinha dito que era preciso ser "absolutamente moderno", mas preferiu parar de escrever a ficar por aí dando a entender que quando falamos em "literatura moderna" a parte importante é o "moderna", até porque a modernidade é sempre inevitável, mas a literatura não. O próprio Pound, recordemos, haveria de admitir o ilogismo do distanciamento absoluto da linguagem cotidiana, afinal, como ele também disse, poesia é "linguagem carregada de significado", tão carregada que faz com que uma novidade consiga permanecer nova através dos séculos, mesmo sendo velha. É por isso que até hoje repetimos que "amor é fogo que arde sem se ver" e que "transforma-se o amor na cousa amada".



Por isso, quando Pound falava em renovar, make it new, demonstrava apenas estar ciente de que as formas de expressão tendem a cristalizar-se e desgastar-se, que mesmo um gigante como Camões precisa de novas leituras e novos contrapontos para que a literatura não entre em piloto automático. Fundamental mesmo era, e continua sendo, fazer a verdadeira revolução, que consiste em voltar às coisas mesmas para, ouvindo-as, dar-lhes voz.



Esta é a questão crucial: voltar às coisas mesmas, contemplar algo, colocar a linguagem a serviço da comunicação de algo, não deixar que ela fique apenas voltada para si mesma, como uma alma sem corpo a vagar em projeção astral, uma modernidade sem literatura, uma literatura sem palavras, um monte de palavras sem sentido. Isto só é possível se o próprio poeta tem uma preocupação vital, ou até mais de uma. Bruno Tolentino teve algumas, mas a mais importante, a que mais contribuiu para informar sua obra, diz respeito a um aspecto sutil da vida interior do homem: tendemos a preferir o retrato ao retratado, a beleza artificial e pretensamente eterna à beleza inevitavelmente agonizante de tudo que vive, a preferir, enfim, o mundo como idéia ao mundo como mundo mesmo. Isto se reflete tanto na luxúria por mulheres de Photoshop que impede o amor por mulheres reais, não menos maravilhosas por terem defeitos inevitáveis, quanto, para citar T. S. Eliot, no desejo por sistemas políticos perfeitos que nos dispensem de ser bons, que nos desobriguem da compaixão e da misericórdia, e assim nos fechem para o outro – não o "outro" abstrato, mas o outro que está à nossa frente e a quem podemos fazer um bem tangível.



Explicitado assim, o tema pode não nos comover tanto; mas cabe ao poeta utilizar os recursos que nos inspirarão a fugir do mundo como idéia e buscar o mundo real, ou a experiência que Bruno descreveu como "mundo como rapto", o arrebatamento momentâneo que constitui o verdadeiro ato intuitivo, de conhecimento imediato. É neste momento que ele se volta para seus mestres, em busca de meios de expressão; mas antes passa pela fonte da linguagem cotidiana, a fonte que sai da própria terra. O resultado normalmente segue a tradição da poesia de língua portuguesa: o discurso poético anda um degrau acima da linguagem cotidiana, que passa a ser transfigurada pelo ritmo e pela proximidade com termos que têm significados muito especiais. Vejamos por exemplo o soneto final da série "O pote no balcão", em O mundo como Idéia [vencedor do Prêmio Jabuti 2003], em que o poeta discute com o próprio coração, num tom brasileiríssimo de intimidade e humor, a necessidade de ele parar de se contentar com "noções apenas" e partir para o famoso mundo real:

VII

Venho abrir-te de vez essa gaiola

em que eu mesmo te fiz viver suspenso;

ando perplexo entre o que sinto e penso,

entre a mão estendida e a falsa esmola.

Admiro-te ainda a cabriola,

a audácia, a acrobacia sobre o imenso,

mas sinto-te quicar como uma bola

num joguinho fictício e ando propenso

a pegar-te na mão e sem demora

te atirar, coração, no olho da rua,

o olho vivo da vida! Muito embora

a ninfa que inventaste ande mais nua,

mais bela assim, vestida só de lua,

basta de orgulhos, coração, cai fora!

O discurso é direto, sem inversões sintáticas. A principal marca de uma "dicção literária" é o uso da segunda pessoa, seguida do uso de "imenso" substantivado. Nada de mais. Mas a novidade volta a ser novidade quando vemos uma expressão banal como "o olho da rua" sofrer um acréscimo de sentido: além de ser a situação provisória que é o contrário da proteção do lar, neste caso o lar imaginário em que vive o coração, é também "o olho vivo da vida", o conjunto dos acontecimentos concretos. A ninfa inventada, "vestida só de lua" – uma alfinetada em Vinícius de Moraes – pode ser mais bela; mas é irreal, não passa de um orgulho – eis a segunda subversão, desta vez de um lugar-comum da poesia. A opção pela próclise em "te atirar", contrariando as supostas regras, as mesmas que levaram Oswald de Andrade a escrever aquele poema1 sem graça lido em todas as escolas, mostra o quanto o bom senso pode servir à sonoridade e à métrica, o mesmo bom senso que levou à ênclise de "admiro-te ainda a cabriola" e "sinto-te quicar". O uso de um tom brincalhão, mas não irreverente, lembrando que irreverente é quem não presta as reverências devidas, também contrasta com a galhofa dos modernistas de 22 e os "marginais" dos anos 1970-80, cujo maior legado foi convencer muita gente de que mostrar a língua e fazer pose são formas de alta cultura. Tudo isto procede do tema: o pito que Bruno Tolentino quer passar no próprio coração que só ama o que é imaginário. O texto, por sua vez, vai estabelecendo todos esses diálogos, entranhando-se numa tradição, baseando-se na língua que já está presente no vivíssimo olho da rua.



Isto sim é renovar o idioma, make it new, e torna-se impossível não querer dizer "coração, cai fora!" diante de cada nova paixão intelectual maligna. A expressão trará a lembrança do poema; a lembrança se transformará em memória; a memória em imaginação; e assim a poesia informará a nossa maneira de enxergar o mundo, moldará a forma com que recebemos nossas experiências, nos dará novas categorias e, além disso tudo, nos inspirará a fazer o coração cair fora quando necessário. Francamente, não se pode esperar muito mais do que isso de um poeta – como já pode ter percebido quem notou que os conselhos de Ezra Pound valem para qualquer um, em qualquer época, e não só para aqueles que estavam no século XX, doentes de cronocentrismo.

(1) Pronominais

Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarroJustificar

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Estão todos dormindos, de Edson Nery da Fonseca

A beleza das digressões

Em sua nova obra, que pode ser definida como uma mistura de memorialismo e historiografia intelectual, Edson Nery da Fonseca, como que buscando um acerto de contas com o passado, traça o perfil de pessoas com as quais conviveu e que tiveram importância na formação de sua visão de mundo. Segundo o prefaciador da obra, o professor Anco Márcio Tenório Vieira, trata-se de “um memorialismo que se manifesta obliquamente, por subtração, como partes de uma reflexão maior”. De fato, Edson Nery, como uma espécie de Riobaldo do mundo real, tenta buscar um lastro de sentido na miríade de acontecimentos e de pessoas que visitam suas lembranças e acaba compondo um painel da história recente da cultura brasileira.

No seu livro anterior, Vão-se os dias e eu fico, publicado em 2009, o autor partia de sua história pessoal e acabava falando de episódios e personagens; em Estão todos dormindo, o caminho é inverso – a partir da caracterização de outros, ele acaba, hábil e subliminarmente, revelando sua personalidade e seu pensamento. Este último livro é mais uma prova de que se trata do autor mais competente do País em atividade no gênero memorialístico.

Edson Nery formou-se intelectualmente numa época em que intelectuais eloquentes e eruditos, como Álvaro Lins, Gilberto Freyre e Otto Maria Carpeaux, movimentavam o debate cultural brasileiro. O texto de Edson Nery da Fonseca, personalista, amplo e digressivo, é, sem dúvida, devedor desses grandes estilistas já desaparecidos. O grande mérito das narrações de cada perfil é como o escritor consegue relacionar seu personagem com o momento histórico e com a ideias de cada época. A reflexão não se limita, portanto, à contribuição intelectual de cada indivíduo: Edson Nery, utilizando-se de sua erudição e senso crítico, mostra o papel que essas ideias desempenharam na dinâmica da história cultural recente do País. Ao falar de seu amigo Anísio Teixeira, por exemplo, que em geral é exclusivamente lembrado como grande educador, o autor apresenta outras dimensões do personagem, como a religiosa e a política, tudo isso imiscuído a episódios retirados da relação pessoal entre os dois.

O pensamento do autor sobre a morte é uma constante no livro: todos os personagens já se foram, “estão todos dormindo, profundamente”, como no verso de Manuel Bandeira. A obra reflete a humildade daqueles que – como um James Boswell em relação à Samuel Johnson, reconhecem-se não como protagonistas da história, mas como apaixonados admiradores e divulgadores daquilo que é intelectualmente importante e, principalmente, daquilo que é belo.

(Eduardo César Maia)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O POETA JOÃO CABRAL DE MELO NETO DÁ DE PRESENTE UM EPITÁFIO EM VERSOS PARA O AMIGO LEDO IVO - E MORRE. LEDO IVO CHEGA AOS 85, CHEIO DE “PERPLEXIDADE”

Postado por Geneton Moraes Neto em 03 de novembro de 2009 às 22:08
GMN : O que ficou da amizade com Manuel Bandeira ?

Ledo Ivo: “Minha ligação com Manuel Bandeira foi profunda. De todos os poetas, talvez o que mais me tenha marcado e ensinado foi Manuel Bandeira. Quando eu era menino, mandei poemas para ele. Recebi de volta um cartãozinho em que ele tocou em um ponto que ainda hoje permanece na poesia: “Há muita magia verbal em seus poemas”.

Depois percebi que, para mim, a operação poética é como se fosse um encantamento da linguagem - uma magia. Sou um poeta que acha que a poesia é o uso supremo da linguagem. Bandeira fez esta descoberta em meu momento inicial. Deu-me lições perenes : por exemplo, a de que o poeta deve ser um intelectual culto. Só a cultura tem condições de abrir caminhos. Ao poeta,não basta apenas ter talento e vocação. Por que o poeta deve ser realmente um homem culto ? Porque a poesia é um sistema milenar de expressão. É preciso conhecer os mestres. A criação poética não é,portanto,um problema só de sensibilidade. É um problema de cultura. Somente o vasto conhecimento da poesia e da literatura é que permite ao poeta exprimir-se.

A fidelidade à literatura deve ser o emblema do escritor. Devemos continuar segurando o estandarte. Vivemos um tempo de mudanças. Somos uma civilização de massas, uma civilização eletrônica, uma civilização consumista. Tudo alterou a posição do escritor e do poeta no Brasil.

Já não temos aqueles poetas populares de que Drummond foi o último grande exemplo. O poeta vive hoje em uma época de anonimato. Os ícones são diferentes, os gurus são outros. A linguagem literária hoje compete com a linguagem eletrônica, o CD-Rom, o cinema,o disco . Mas,há alguma coisa que só a poesia tem condições de dizer. A poesia, então, existirá sempre,como linguagem específica,porque só ela pode dizer,sobre a condição humana,algo que não pode ser dito de nenhuma outra maneira. O cinema e a televisão lidam de uma maneira diferente”.

GMN : O poeta, então, deve se resignar a ser anônimo, nesse mundo dominado pela fama e pela mídia eletrônica?


Ledo Ivo: “A função do poeta na sociedade é escrever poemas.A notoriedade é secundária”.

GMN : O senhor tem esta sensação de deslocamento ?

Ledo Ivo: “Pelo contrário ! Para mim, seria inconcebível ter aparecido antes ou ter aparecido depois. Como poeta ,surgi no momento certo.Tenho um grande sentimento da minha contemporaneidade.O mundo atual habita os meus poemas.A função do poeta é,também,celebrar o mundo em que vive. Não tenho nostalgia pelo passado. Não gostaria de ter nascido no passado,assim como não gostaria de ter nascido no futuro”.

GMN : Do que o senhor ouviu de João Cabral de Melo Neto, qual foi a grande lição ?

Ledo Ivo: “João Cabral me deu a lição da diferença entre os poetas.Cada poeta é diferente. As estéticas dos poetas são até inconcebíveis. Como são diferentes os caminhos para fazer a mesma coisa ! . O que mais me impressiona em João Cabral é ele ser saudado sempre como “o poeta da razão”, no Brasil. Para mim, João Cabral de Melo Neto é o poeta da “anti-razão”,o poeta da obsessão, o poeta das coisas ocultas,o poeta das coisas sibilinas, herméticas. A poesia que ele deixou é complexa,mas se abre para o grande acesso popular, o que é curioso.

Uma vez,João Cabral me disse: “Nós estamos fazendo uma obra literária. Procuramos fazer uma obra literária o maior possível.De repente, lá em Nova Iguaçu ,a essa hora, anonimamente, alguém pode estar fazendo a obra com que nós sonhamos”.

GMN : Para o senhor - que se considera “um homem de muitas perguntas e quase nenhuma resposta” - qual é a grande pergunta, a grande perplexidade que até hoje o atormenta ?

Ledo Ivo: “A perplexidade é estar no mundo - com todas essas perguntas que se acumulam; o fato de ser transitório; a existência e não-existência de Deus; o problema da condição humana. Vivo num mundo em que quase não há resposta. Não sei onde começo e onde termino. Sequer sei se existo, no sentido de ter uma existência nítida, com fronteiras definidas.Talvez o meu mundo seja o mundo da ambigüidade.

Drummond chamou a minha poesia de “múltipla”. É uma frase que ilumina mais uma existência poética do que muitos rodapés. Quando publiquei “Confissões de um Poeta”, Hélio Pellegrino me telefonou para dizer que ficou impressionado com o clima de procura que há em todo o livro. Como era psicanalista e poeta,Hélio Pellegrino disse que minha descoberta estava exatamente nessa procura.

Vivo nessa perpétua indecisão. O que me impressiona é que essa procura tenha durado tanto; não tenha acabado ainda”.

GMN : Há em seus textos uma certa obsessão com a finitude. Qual foi o primeiro espanto que o senhor teve diante da morte?

Ledo Ivo: “Venho de uma família numerosa. Tenho um irmão que morreu, o chamado “anjinho”, aquele que morre novo. Outro irmão meu, chamado Éber, morreu aos oito anos. Numa família nordestina,numerosa, a morte vive sempre rodeando as pessoas. Quando menino, eu gostava de visitar cemitérios. Mas censuro a morte ! .Como sou uma criatura do aqui e do agora,fico impressionado com a morte,porque ela faz com que a gente já não esteja aqui”.

Talvez venha da infância o sentimento de que a vida é provisória e instantânea.É um relâmpago. Além de tudo,há o mistério da existência : por que será que uns morrem cedo,outros morrem tarde e outros não morrem nunca ? “.

GMN : O senhor faz,em um de seus textos,uma referência a uma caminhada solitária pelas alamedas do Cemitério São João Batista. O que é que o senhor estava fazendo no cemitério ?

Ledo Ivo: “Devo ter ido me despedir de um amigo. Não fui para visitar o cemitério. O engraçado é que João Cabral escreveu o meu epitáfio em versos que ele nunca incluiu em livro. O que João queria era fazer um livro só de epitáfios de amigos. Terminou não fazendo.

João foi um grande amigo meu,mas tínhamos temperamentos diferentes. Enquanto ele ia para um lugar, eu ia para outro. Nunca nos encontramos - nem esteticamente. Dizia que eu falava muito; achava que só a morte é que me reduziria ao silêncio.
O epitáfio que João Cabral criou para mim é este :

“Aqui repousa
Livre de todas as palavras
Ledo Ivo,
Poeta,
Na paz reencontrada
de antes de falar
E em silêncio,o silêncio
de quando as hélices
param no ar “.

PS: A vida tem dessas ironias : lastimavelmente, João Cabral de Melo Neto, autor do epitáfio de Ledo Ivo, morreu há dez anos. Tinha 79 anos de idade. O poeta presenteado com o epitáfio precoce felizmente continua vivo. Ledo Ivo tem oitenta e cinco anos.
Fonte: G1

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Fragmens

Segunda-feira, dia 13 de abril pelas 20h, inaugura a exposição ‘Fragmens’, por Rogê Venâncio

Fragmens
Análise por Renato Dantas (Ator e Diretor Teatral)

A modernidade construiu o homem vendo-o nas relações sociais baseadas na dualidade capitalismo x socialismo, promovendo uma dialética ética e estética, onde a proposta de um homem novo não chega a termo, visto que a queda do muro de Berlim sinaliza uma terceira via. A arte, testemunha e propositora de mudanças, desconstrói o homem e o mostra numa perspectiva pós-moderna.
Através do visual, ‘Fragmens’ aponta caminhos que podem ser percorridos pelo gênero humano, onde a arte seria o norte do reinicio de pesares e fazeres da mulher e do homem pós-moderno..
Aí é que Rogê Venâncio propõe novos rumos para este homem, desconstruindo seres e coisas para apresentá-los como proposituras através da colagem.Com as séries: ‘Juazeiro a cena da fé’, ‘Desconstrução’ e ‘Fragmentos’, em um total de treze obras, o artista clarifica a sua intenção no ver o passado, andar junto ao presente e vislumbrar um futuro.
Juntando elementos analíticos (concretos e abstratos) propõe em sua reconstrução uma síntese onde as coisas e os seres se ressignificam, mostrando protótipos de um novo homem, uma nova sociedade.
A desconstrução de Rogê constrói outros rumos.
Fonte: www.olharcasadasartes.blogspot.com

terça-feira, 24 de março de 2009

Liberação de verbas para a cultura

Gestores municipais de cultura do Ceará estiveram reunidos em Fortaleza e ouviram do secretário estadual da Cultura, Auto Filho, a liberação de R$ 16 milhões para o Fundo Estadual de Cultura, em 2009. Dois milhões a mais que no ano passado. Metade desse valor deve ser destinado ao interior cearense. O montante será investido nos editais de apoio aos projetos oriundos da sociedade civil e em diversas áreas culturais como teatro, dança, cinema, música e artes plásticas. Durante a reunião, foi elaborado um calendário regional turístico cultural para todo o Estado que envolverá eventos promovidos pelos Municípios, Estado e União. O calendário vai ser implantado parcialmente no segundo semestre deste ano e integralmente a partir de 2010. Tem por finalidade evitar choques e superposições de acontecimentos culturais, justificou o secretário Auto Filho.Para ter acesso aos recursos, as prefeituras são obrigadas a criar a Fundação Municipal de Cultura, o Conselho ou mesmo a Secretaria de Cultura. Em todo o Ceará, dos 184 municípios apenas 90 possuem esses órgãos culturais. As cidades de Crato, Juazeiro e Barbalha, no Cariri, já têm o sistema implantado. Para a secretária de Cultura do município cratense, Danielle Esmeraldo, a parceria com o Estado ajudará a fortalecer a cultura regional, notadamente. Mas segundo ela, o valor precisa ser bem distribuído em todas as regiões cearenses e não beneficiar somente a Região Metropolitana de Fortaleza.De acordo com a secretária de Cultura de Juazeiro do Norte, Glória Maria, todo valor direcionado à cultura é importante. Entretanto, ela afirma que o valor ainda não é suficiente para cidades como Juazeiro do Norte, que é considerada uma referência quando se trata de manifestações culturais.Já o secretário de Cultura de Barbalha, Dorivan Amaro, considera a iniciativa é importante porque favorece o crescimento das manifestações culturais em todo o estado. “As ações ficavam muito centralizada na região metropolitana e este incentivo vai possibilitar que a cultura do estado cresça de forma igual, tendo em vista que a região do Cariri é muito rica culturalmente”, afirmou o secretário.


Jornal do Cariri
Postado por Tarso Araújo


Fonte: http://www.caririag.blogspot.com/

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Cinema perde Robert Mulligan

Saiu de cena aos 83 anos, numa manhã fria de dezembro p. passado, devido a problemas com a sua motricidade cardíaca, o cineasta nova-iorquino Robert Mulligan, um dos profissionais mais competentes e sensíveis no tocante à criação de uma atmosfera e à imageria cinemática. O Caderno de Cultura vale-se do ensejo para prestar homenagem póstuma a quem nos legou algumas realizações dignas de figurarem no acervo de colecionadores exigentes para visão e revisão de seus méritos. Nossos arquivos e as fontes citadas em ‘Para Saber Mais’ serviram de consultoria para a redação deste texto.No entanto, Mulligan foi pouco festejado por roteiristas pretensiosos e metidos a saber de tudo, bem como por críticos zoilos para quem os bons cineastas têm obrigação de fazer uma obra-prima por ano ou pelo menos um êxito bilhetérico por semestre. Alguns produtores também não apreciavam Mulligan, embora o respeitassem, devido à sua exigência do “final cut”, ou seja, só aprovava seu nome nos créditos e na publicidade se pudesse dar a última palavra na malfadada sala de cortes, responsável por tantos desacertos, iniqüidades e até absurdos, como foi o conhecido caso de “Soberba” (The Magnificent Ambersons), obra-prima de Orson Welles (1942), de quem lhe remontaram o final e lhe roubaram nada menos de 58 min (pêsames para Robert Wise e Mark Robson), conforme registramos em ensaio publicado neste Caderno de Cultura em 16 out 2005.O Jovem e a II GuerraFilho de um funcionário de carreira da polícia de Nova Iorque, a quem cabia a responsabilidade pelo nível relativamente baixo de renda da família, Mulligan ainda assim pôde cursar a High School e revelar-se desde cedo um bom ledor e um jovem atento e preocupado com questões de caráter social, daí sua afinidade com os problemas dos moradores da periferia suburbana. Foi quando aos 17 anos quis ser padre para atuar nas comunidades carentes. Seus estudos teológicos foram, no entanto, interrompidos pela II Guerra (1939-45), após sua convocação, em 1943, para servir em unidade naval como radioperador, equipamento com o qual tinha afinidades.Finda a guerra, Mulligan havia amadurecido o seu pensamento e perdido suas antigas certezas em relação à religião e às suas perspectivas de ordem profissional. Sentiu crescidas suas dúvidas em face do absurdo do mundo, da estupidez da guerra, do morticínio de inocentes nos campos de extermínio nazistas e dos horrores reproduzidos em documentários projetados por setores militares. Estes, segundo Mulligan declarou tempos depois ao diretor-produtor Alan J. Pakula, o fizeram pensar na importância do veículo cinematográfico pelo seu potencial para transmitir idéias capazes de denunciar e expor as mazelas da sociedade e de contribuir para minimizar o sofrimento das classes desprivilegiadas. Perturbou-o a questão da existência e da permanência do mal, tema aliás tratado por alguns filósofos e deixado por ele no subtexto de uma de suas obras-primas e um dos melhores experimentos de horror em muitos anos: “A Face Inocente do Terror “ (The Other, de 1972) (v. filmografia essencial).A Descoberta da TV: Anos 50Em tempos de paz relativa, Mulligan encontrou trabalho como “office boy” no New York Times e depois como revisor auxiliar e mais adiante como redator de uma das equipes de reportagem. Aperfeiçoava ele seus conhecimentos sobre comunicação via rádio, quando se interessou vivamente pela televisão, tornando-se integrante ilustre da primeira geração produtora de filmes para a TV. Daí ter sido assistente de produção e logo depois de direção, quando trabalhou com o amigo Pakula e muito aprendeu com ele.Como se recordará o cinéfilo, Pakula foi o diretor proficiente de filmes como “A Trama” (The Parallax View, 1974), com respingos no assassinato de Kennedy, enquanto defendia no subtexto a tese conspiratória e denunciava a farsa do Relatório Warren, e “Todos os Homens do Presidente” ( All the President’s Men 1976), sobre o escândalo de Watergate no governo Nixon.A propósito, pode-se lembrar também de “O Assassinato de um Presidente” (Executive Action, 1973), de David Miller, e “A Pergunta que Não Quer Calar” (JFK, 1991), de Oliver Stone, para ficarmos só nestes defensores da tese de dois ou mais assassinos no caso Kennedy. Mulligan também estudou TV e cinema na prática, enquanto assistente de colegas mestres da categoria de John Frankenheimer, Robert Altman, Sydney Pollack e George Roy Hill. Casou-se em 1952 com a atriz Jane Lee Sutherland e quando completou 30 anos, em 1955, Mulligan ganhou reconhecimento como um dos principais diretores de qualidade nos dramas veiculados pela TV. Em 1957, recebeu convite para dirigir seu primeiro longa para o cinema, pois o aprendizado com aquela primeira e luzida turma e o treinamento intensivo propiciado pela TV já lhe davam competência e segurança para vôos mais altos.Surgiu assim “Vencendo o Medo” (Fear Strikes Out, 1957), um relato íntimo e perturbador do distúrbio mental de Jimmy Piersall, jogador de “baseball”, a quem o pai ignorante e dominador queria vê-lo brilhar a todo custo como astro nacional de primeira grandeza. O veterano Karl Malden como genitor e Anthony Perkins no papel do filho foram bem conduzidos por Mulligan, mas apesar do desempenho sobresselente não foram contemplados com indicações para o Oscar daquele ano. A partir desse filme, no qual parece ter havido um duelo de interpretação entre “pai” e “filho”, Mulligan revelou personalidade sensível e inteligente, cuja obra induz a estima, conforme escreveu Jean Tulard, para quem “heróis” como Jimmy são na maioria das vezes pessoas solitárias, as quais dificilmente conseguem integrar-se na sociedade. Para o dicionarista francês, Mulligan nos propiciou retratos em tons claros de seus personagens, especialmente em “Houve Uma Vez um Verão” (Summer of ’42,1971), um dos marcos do cineasta nova-iorquino, sobre o qual faremos referência quando analisarmos os anos 70.
ACERVO DE LG MIRANDA LEÃOL.G. DE MIRANDA LEÃO* Colaborador

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Por mais que o mundo faça um esforço medonho para nos por mordaças, simplesmente algumas pessoas de talento não resistem e grunem mesmo com o pano enfiado na goela. Outros mais livres ainda não são postos com grilhões, mordaças, algemas ou qualquer coisa que o condicione. São os raros espíritos livres que no meio de tantos versos que lemos hoje em dia realmente podemos dizê-los poetas. Abaixo um dos poemas do amigo Lupeu que está entre os poucos poetas verdadeiros que conheço.


O celular me liga no mundo e sei, continuo desligado. detesto isso de ser achado a qualquer hora. Gostava quando os telefones viviam presos. Iguais a cachorros ferozes. Presos em suas cordinhas enroladinhas. A gente via eles lá, nos cantos das paredes, cobertos com pequenas toalhas de crochê, ou as vezes, presos também com pequenos cadeados. Um dia eles se soltaram. Pularam das paredes para os cintos. Depois para as bolsas, os bolsos. Um dia, vão andar sozinhos. Falar entre si. Planejar a destruição de todos os humanos.

sábado, 25 de outubro de 2008

ABIDORAL JAMACARU E O "BÁRBARA" - O MENESTREL DO CARIRI APRESENTA SEU NOVO TRABALHO MUSICAL.


A notícia não poderia ser melhor, chegou o tão aguardado CD daquele que é um dos maiores símbolos da musicalidade Cariri/Brasil.
“BARBARA”, assim se intitula o mais novo trabalho de Abidoral Jamacaru, que presta justa homenagem a heroína Dona Barbara de Alencar. Neste terceiro trabalho Abidoral mantém-se coerente aos seus princípios musicais. Contextualização literária atualizada, arranjos trabalhados sob a sua supervisão, sempre com propósitos inovadores! Novos parceiros, novas roupagens nas músicas de outros autores.



“ Abidoral é o mesmo, renovado, como o sonho que ousou iniciar ainda imberbe e não deixou de sonhar homem feito com a prata da barba e do cabelo, seu sonho de Mateus e nos acordar com seu canto brincante”. Trechos da apresentação que abre o encarte sob as palavras do consagrado cantor/compositor: Chico César.

Ficha técnica:
- Gravado em padrão digital no estúdio: IBBERT-SOM
- Produção artística e executiva: Abidoral Jamacaru
- Direção musical: Lifanco
- Assistente de produção: José Flávio Vieira
- Projeto gráfico: Reginaldo Farias
- Foto contracapa: Pachelly Jamacaru
Mixagem e masterização: Abidoral, Lifanco e Iberteson Nobre

Como adquirir:
Breve nas lojas da cidade ou em contato com o autor:
Fone: 8811. 0195
Endereço de Abidoral: Rua José carvalho 247,
Centro Crato-Ce
63100.000

Foto: Pachelly J.
Postado por Pachelly Jamacaru
Fonte:www.cariricult.blogspot.com

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Dante inspira obra de artista


Personagens do livro ”A Divina Comédia” são retratados e expostos durante a exposição “O Inferno de Dante”, disponível para visitas até 31 de outubro, no Crato (Foto: Elizângela Santos)

A exposição já acontece desde o último dia 7. É possível perceber que o público está ficando admirado com as obras do artista Francisco dos Santos
´A Divina Comédia´, de Dante Alighieri, tem personagens em argila, exposto na Região do Cariri até o dia 31

Juazeiro do Norte. Formas em padrões clássicos, inspiradas na obra de Dante Alighieri, “A Divina Comédia”. O constante interesse de buscar as formas exatas da anatomia humana, por meio da escultura em argila, trouxe um trabalho elaborado pelo escultor caririense, de Juazeiro do Norte, Francisco do Santos. Os detalhes de cada personagem arrancam suspiros dos que vão à exposição “O Inferno de Dante”, aberta para visitação na Galeria do Sesc Crato, até o próximo dia 31 de outubro.



O artista decidiu beber na fonte. A trilogia do autor clássico envolve o Inferno, o Purgatório e o Paraíso, na Divina Comédia. E foi na maneira como são descritos os personagens que o estudo do escultor foi mais a fundo. A forma minuciosa e expressiva dos seus personagens, principalmente no Inferno, trouxe o aperfeiçoamento também de Francisco dos Santos, um autodidata que hoje vem buscando cada vez mais se especializar no que faz. Ele é estudante do curso de Artes Visuais da Universidade Regional do Cariri (Urca).

Material perfeito

Desde 1996, quando realizou o seu primeiro curso na Associação dos Amigos da Arte (Amar), com a escultura em argila, que procurou, antes de tudo, ter o material perfeito para elaborar as formas. A pesquisa veio pela argila que não desse trabalho na hora da secagem, ou mesmo quando levada para o forno. Foi um tempo para ter o resultado ideal. Entre a argila que ele chama de magra, com menos elasticidade, e a gorda, descobriu o meio termo e uniu as duas. Chegou na forma ideal, a liga perfeita, para desenvolver o talento. A dedicação ao artista e sua especialidade veio depois de ter a matéria-prima.

O foco de atuação vem junto com o estudo da anatomia. Os músculos, proporções do corpo humano, que seguem a medida das sete cabeças, dentro dos padrões das esculturas clássicas, estão contidos em seu trabalho. Além de escultor, Francisco dos Santos também desenha. Para ele, esse trabalho auxilia bastante no processo de confecção das personagens. Outra inspiração, dentro dessa forma de criar as imagens, foi por intermédio das gravuras de Gustave Doré.

Especialização

Mas foi num material acessível na região, que o escultor decidiu se especializar, por ter esse material com maior facilidade. “Posso também trabalhar maior riqueza de detalhes”, diz. As vantagens de transformar esse trabalho em cerâmica têm um sentido bem mais proveitoso. Para o escultor Francisco, a própria arqueologia confere isso, por meio dos milhares de anos de materiais que são estudados por intermédio das ferramentas provenientes de utensílios de peças desse tipo.

O trabalho simples e com fortes detalhes traz um pouco da história do renascimento para uma região onde os artistas, em sua maioria, buscam o regional para se inspirar. Isso, de forma nenhuma, incomoda o artista. “A idéia é também provar que nordestino pode trabalhar os padrões clássicos e podemos ficar apenas presos aos padrões regionais”, explica.

Francisco trabalha em seu ateliê Shanadú, na cidade de Juazeiro do Norte, onde ministra aulas de desenho, pintura, escultura, além de realizar, também, oficinas para diversas instituições do Estado, como o Serviço Social do Comércio (Sesc), Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBNB) e também Sociedade de Apoio às Famílias Carentes (Soafamc).

Essa exposição, com apenas 12 peças, vem como um resultado tridimensional da realidade exposta, de forma nua e crua, pelo autor Dante Alighieri. O prazo, conforme o artista, foi de 45 dias para desenvolver cada personagem retratado no livro, com as formas sem fugir ao imaginário do leitor. O tempo maior é dedicado ao estudo e depois mãos à obra.

Cada trabalho tem uma história para contar. A expressão validada na percepção do artista. Um deles está em destaque na exposição. É denominado ´Depressão´. Caracteriza todas as pessoas que estão no limbo. Na ante-sala do inferno. E é nesse lugar onde estão todos aqueles que fizeram de tudo para não ficar no inferno. São o meio termo e também não chegaram ao céu. Eles vieram antes do cristianismo. Outro personagem conhecido, Caronte, o barqueiro que atravessava as almas do rio do inferno, também se encontra na exposição. Também tem Maomé, com suas vísceras expostas. O interessante é que a admiração da obra pelos visitantes da exposição, no Sesc, em Crato, desde o último dia 7, faz com que as pessoas se identifiquem com os personagens. Isso demonstra o reconhecimento do público pela busca da forma humana.

Mais informações:
Exposição ´O Inferno de Dante´
07 a 31 de outubro (8h às 20h)
Galeria do Sesc Crato
Atelier Escola Shanadu
(88) 3512.8103 / 8804.7596

Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=580175

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Programa Rumos Itaú Cultural prorroga inscrições


Aos artistas do Cariri que desejam participar dessa grande oportunidade de mapeamento e exposições, o Programa Rumos Itaú Cultural de Artes visuais prorroga as inscrições.

O Itaú Cultural dá continuidade ao programa que, desde 1997, incentiva e premia novos talentos. No biênio 2008-2009, acontece a quarta edição da categoria Artes Visuais, que fará o mapeamento deste momento da produção contemporânea, contemplando obras em diversas linguagens e suportes.

O edital impresso do programa é distribuído gratuitamente em instituições de todo o Brasil. Confira a lista de endereços. Para informações sobre os encontros que acontecem em todo o Brasil, acesse o blog do programa.

Inscrições
Rumos Artes Visuais
até terça 24 junho



Mais informações: http://www.itaucultural.org.br/
Fonte:http://www.artesvisuaiscariri.blogspot.com/
Postado por chrystianmarques

quarta-feira, 18 de junho de 2008

O que há entre a escrita de Charles Bukowski e a arte de Robert Crumb?



•••••••••••••••••• Crumb Crumb Crumb Crumb ••••••••••••••••••••
••••••••••••••• Buk Buk Buk Buk ••••••••••••••••••
Es tan fácil ser poeta

y tan difícil ser hombre.

(Charles Bukowski)



Traço sujo. Detalhes em exagero: tipo, azeitona que apodrece sobre o mofo do que um dia foi um drinque. Isso é Crumb, para mim, bien sûr. Para mim, que leio Bukowski e me babo pela maneira simples, direta, dura, podre no sentido sincero do coração de um homem - apenas um homem.

Isso faz lembrar que este mesmo homem, o Buk, velho Buk, foi encontrado [por si mesmo] sobre uma lata de lixo, todo vomitado, um rato passeando sobre a perna, numa clássica manhã de ressaca.

Buk: Parte da geração beatnik, mas à parte: ele, o eterno marginal.

O Charles "Hank" Bukowski era alemão: nasceu em Adernach e o pai era americano, primeiro sargento. A mãe, alemã. Dizque o pai era muito feio. Aos três anos, mudou-se com a família para os EUA, para o East Holywood, condomínio moquifento de baixa renda, periferia de Los Angeles. Ali conheceu a miséria. Abusos do pai, alcoólatra. Depois de terminar o segundo grau, estudou jornalismo durante algum tempo no L.A. City College, mas abandonou o curso em 1941, antes de conseguir qualquer graduação. Escolheu a vida bêbada e itinerante, pulando de um emprego para o outro. Em 1956, resolveu dar um tempo: aceitou trabalhar nos correios, lugar que serviu de inspiração para o seu primeiro livro de prosa, "Cartas na Rua" (1971).

Mas Bukowski foi também um putapoeta, e publicou diversos livros de poesia. Olha só:


<< Play the piano drunk like a percussion instrument until the fingers begin to bleed a bit 40,000 Moscas>>

Separados por uma tormenta passageira

nos juntamos novamente

Buscamos rachaduras em paredes

e tetos e as eternas aranhas

Me pergunto se haverá uma mulher mais.

Agora 40,000 moscas

encontram os braços de minha alma cantando:

"I met a million dollar baby in 5 and 10 cent store"

Braços de minha alma?

moscas?

cantando?

que classe de merda é esta?

É tão fácil ser poeta e tão difícil ser homem."


Homem de vícios, esse Buk. No traço de Crumb, sua cara de ressaca fica ainda pior, as bitucas de cigarro quase exalam seu fedor.

Os vícios: corridas de cavalos, Jack Daniel's, cerveja, cigarros e mulheres, mais ou menos na ordem em que aparecessem em sua frente. Apesar de estar bêbado em praticamente quase todos os momentos de sua vida, foi um homem tão lúcido quanto pode sê-lo um escritor americano que manda às favas o sistema, foi insano em maneiras de viver a vida, tragá-la como um gole de uísque, até a última gota.

Mesmo com a fama já fazendo-lhe calos à imagem, "Hank" não abriu mão dos caprichos, não deixou de freqüentar os botecos, de ir ao cinema ou de resmungar ao amarrar os sapatos pela manhã; não abriu mão de seu amor aos gatos, às boas coisas que o dinheiro traz e que leva embora sem dar satisfação; mas, principalmente, não abriu mão nunca de escrever: como respirar, dormir, comer. Escreveu feito um faminto ensandecido diante de um carneiro assado se atira à refeição, escreveu sempre, enquanto esteve com os olhos abertos.

<< Não há nada a lamentar sobre a morte, assim como não há nada lamentar sobre o crescimento de uma flor. O que é terrível não é a morte, mas as vidas que as pessoas levam até a sua morte.>> (C. B.)

Na medula, sem floreios ou eufemismos: as mulheres de bundas e peitos rechonchudos, como se estourando de leite, ar vulgar, a boca aberta num sorriso sacana - isso fecha perfeito com o traço das idéias do velho safado. Quem é quem? Não posso lembrar de Buk sem trazer junto Robert Crumb, ou o contrário. Se o mundo bizarro das corridas de cavalos, da noite de Nova York, ou do cotidiano simples de uma mente inquieta, se todo esse material precisou dos dedos e da imaginação de Buk para existir para todos nós, Crumb cristalizou a nanquim a imagem do escritor.

Não conheço as mulheres de Crumb, o imaginário desse artista além-Buk. Uno ambos como se um sem o outro fosse um corpo sem braço. Ou como uma história do próprio Charles Bukowski sem um palavrão. [x]

RECEITUÁRIO LITERÁRIO :

O CAPITÃO SAIU PARA O ALMOÇO E OS MARINHEIROS TOMARAM CONTA DO NAVIO

A MULHER MAIS LINDA DA CIDADE

MOVIE: Barfly

Ariela Boaventura
Um dia será também uma velha safada


Poesias fotos do Buk podem ser encontradas em http://www.levity.com/corduroy/bukowski.htm

Sobre Crumb: http://www.lambiek.net/1/troptrop.jpg

Fonte: http://www.nao-til.com.br/nao-68/crumb.htm

OFICINA PORTFOLIO



Novo encontro para oficina de portfólio será Dia 02 de Julho 2008 às 18h na Lira Nordestina, bairro Pirajá em Juazeiro do Norte-Ce - Campus da UFC
Nesse dia será a seleção do concurso de fotografia Brincadeira de rua.
A data para inscrição será até 30 de Junho na Lira Nordestina.

Essa atividade é uma ação do grupo de fotógrafos e fotógrafas Poesia da Luz, Lira Nordestina e IFoto Instituto da Fotografia.
Fonte: http://fotografiacariri.blogspot.com/

Postado por Poesia da Luz

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Bandidos aproveitaram excursão escolar para levar obras

A cem metros da Estação Pinacoteca fica uma base móvel da Polícia Militar, com cinco PMs
Rodrigo Brancatelli - O Estado de S. Paulo
Reprodução
'Mulheres na Janela' (1926), de Di Cavalcanti
SÃO PAULO - Segundo a direção do Estação Pinacoteca, os três bandidos armados que entraram por volta das 12 horas desta quinta-feira e levaram quatro obras de arte do acervo da Fundação José e Paulina Nemirovsky, no segundo andar do edifício, que fica na região central da cidade, aproveitaram a movimentação de uma excursão escolar. Pelo menos uma pessoa do grupo ainda teria ficado do lado de fora da Pinacoteca, no Largo General Osório. Os criminosos entraram como se fossem visitantes, sem capuz e com sacolas nas mãos, enquanto alunos de uma escola municipal passeavam pelo museu.
No segundo andar da estação, depois de subir pelo elevador, o grupo rendeu uma funcionária da limpeza. As obras levadas foram: Mulheres na Janela (1929), o óleo sobre cartão de Di Cavalcanti; O Pintor e seu Modelo (1963), gravura de Picasso; Minotauro, Bebedouro e Mulheres (1933), gravura de Picasso; e Casal (1919), guache sobre cartão de Lasar Segall. A Estação Pinacoteca é um local de exposições da cidade de São Paulo, mantida pelo Governo do Estado de São Paulo. Fica localizada no centro da cidade, no Largo General Osório, no bairro da Luz, ao lado da Sala São Paulo e da Estação Júlio Prestes.

A cem metros da Estação Pinacoteca fica uma base móvel da Polícia Militar, com um efetivo de cerca de cinco policiais - nesta manhã mesmo, duas horas antes do crime, cinco carros da polícia fizeram uma operação bem na frente da Pinacoteca para retirar mendigos que estavam dormindo no local.

Os quatro quadros fazem parte do acervo da Fundação José e Paulina Nemirovsky e integram o maior conjunto particular de arte moderna conhecido no País. Eles estavam emprestados por comodato desde 2004, quando foi firmada uma parceria entre as duas entidades. Procurada pela reportagem, a historiadora da arte Maria Alice Milliet, diretora técnica da fundação, não quis se pronunciar.

Minotauro, bebedor e mulheres, de 1933, e O Pintor e sua Modelo, de 1963, gravuras de Picasso

Em cerca de seis meses, São Paulo enfrenta o segundo roubo de obras de arte famosas em museus. No dia 20 de dezembro, as portas Masp estavam arrombadas quando um funcionário chegou ao local. A ação dos ladrões foi rápida e precisa, indicando que eles sabiam quais as obras que pretendiam levar: O Lavrador de Café, de Cândido Portinari, e O Retrato de Suzanne Bloch, de Pablo Picasso. Imagens do circuito interno de TV mostraram que o furto foi praticado por três rapazes e durou apenas três minutos, entre as 5h09 e 5h12.

Robson de Jesus Jordão, de 32 anos, Francisco Laerton Lopes de Lima, de 33 anos, foram presos na época em que as telas foram recuperadas. O terceiro suspeito, Moisés Manoel de Lima Sobrinho, de 25 anos, se entregou no fim de janeiro à polícia. Em 2 de abril, o quarto envolvido foi preso pela polícia. Alexsandro Bezerra da Silva, de 31 anos, foi encontrado na zona leste da capital, na casa de um irmão. Os quatro acusados iriam receber R$ 5 milhões pelas obras. O mentor do crime ainda é procurado pela polícia.

Fonte: http://www.estadao.com.br/cidades/not_cid188476,0.htm