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quinta-feira, 18 de junho de 2020

SOBRE DEUS




Da bigorna que com malho se perfila
No compasso que molda fúlgido
O aço que exausto se enquizila
Se refaz afilado outrora túrgido

É mister, supremo artista, perfeitíssimo
Fulgurante, de tez e ações benevolentes
Esperança em teus braços afabilíssimos
Hosana ao que tudo fez e faz preexcelente

Em caridade se teu nome se circunscreve
Em paciência se faz em teu prelúdio
Esse afago é ouvertures para quem te segue
Aos humildes tem a graça do interlúdio

Que em cantochões ecoem não o teu nome
Mas as ações já azeitadas em tua cruz
Que os joelhos se dobrem de cada homem
Que erga aos céus cada alma que conduz

Antonio Sávio.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Onipresente.

Deitado ao sol à fitar o firmamento
As nuvens desenham-se ao sabor
Da minha mente
Surge tua tez, nívea ao fundo róseo
Do fim de tarde a sangrar.

Teus poros, teus olhos, teu riso
É a arte tornada viva, harmonia,
Piceladas certas, és poesia
O verso, o compasso...certo, perfeito, conciso.

Deitado nos fins de tarde,
Tua presença, embora distante
Insiste em meu ser. Como não sei,
Não se prova o amor silente
Não se sabe da paixão ardente,
Mas sinto-te e isso basta-me,
Por mim nada mais saberei.

Foto: Céu Ardente - Renato Lourenço.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Ainda que...

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Ainda que sopro do verbo
Tua palavra burilada em versos
Que gotejam das calhas
Dos cantos dos olhos
Que me fitam em silêncio
Amordaçados em segredos
Que berram dentro de ti

Ainda após os anos
És a mesma dentro da noite
Dos gozos não tidos comigo
Dos beijos negados no tempo
Que desgastam castelos nos prados
Mas que é impotente dentro de ti

Ainda que meus versos se recusem
Teu nome lateja na rima
Como uma esgrima, uma dança, uma valsa
Que sangra poemas em silêncio
mas ainda é tempo de ser feliz.

Antonio Sávio

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

FEIXES DE ALMA E LUZ

Porta aberta para as almas
Para vozes que tateiam faces
Com cantos que de canto em canto se fazem em luz
Alma aberta como portas
Em face do canto que produz
Pranto que produz a lágrima que pelo sol perfura
Colhe o prisma que se reflete
Que em mil cores se reproduz
Que a princípio a retina dilata,
Que expande o que os tímpanos captam,
Que pela forma da minha arte
Ao todo, não em parte
Abre tua alma em lágrimas
Que se fez de gota em gota

Feixes de luz. 

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Só Vaidade.


No fel dos favos que quebram-se nas línguas,
O ardor dos olhos fechados em gritos,
Gotejam lágrimas, licores suaves
A quem esquarteja seus próprios mitos.

No talho na carne que escorrem alísios,
Uníssono silente de uma dor sem ter prantos
Para tantos segredos agora no centro da insígnia
Qual estandarte bradado em cantos.

No cheiro acre, encoberto de vinhos
Dispersa o vinagre que outrora era azeite
O azedume da carne que apodrece e fermenta
Sob o veneno das cobras, qual molhos
Para o próprio deleite.

Na vaidade que vibra, impera, imponente
Fermentam vacilos, erros, enganos
Que outra era certo, agora desliza
Para o cadafalso de juros em eternos prantos.

domingo, 5 de agosto de 2012

Quando o Quando é Eterno


Home
Meu tempo é quando os jasmins estão no passo
Mede-se de primavera em...em cada péta-la que
Se desgarra silente no campo.
O vero tempo é o que é eterno
Que a força (mãe do tempo) forja para a imortalidade.
Me tempo é o instante que se eterniza
Com a força dos brados que não cansam.
A ação do instante débil, que não tem o ímpeto de vencer as eras,
Nada mais é que o voo débil da libélula, que embora sedutora em sua graça,
És ínfima frente a calmaria secular de um carvalho.

Foto: paulinosn
Fonte: http://olhares.uol.com.br/

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

(D)escrever-se


Há no lábio rubro qualquer coisa que não deve ser dito
Deve ser meditado.
Há no olhar, alguns ares de sol a latejar
Qual dardos, setas enviadas por arcanjos.
No caminhar são passos de uma valsa distante
Tocada em cravo quase silente nas tardes sol no campo
E tudo isso é nada, tão só o possível a ser dito
Embora saibamos que o que aqui está escrito
É demasiado vulgar para expressar o que sois.
Há na palavra, qualquer coisa de inerme,
Pois pouco capta do que és, do brilho do riso
Do que vasa dos olhos, do que exala
Do quanto fala teu silêncio.

sábado, 7 de julho de 2012

O sopro do verbo.

O sopro de Deus que caiu sobre a terra
Em forma de verbo, de vero, de verdade
Caiu sobre ti qual arte,
Cinzel sobre o mármore cortado e polido.

Fizeste portanto a arte em vida em ti personalizada,
"Zatema", minha busca existencial
Face de ângelus, carne em êxtase sincopada
O trêmulo do gozo pecaminoso
Contra o giro da alma sedenta por luz.

Fizeste viva em dedos rafaelescos,
Em risos arquitetônicos,
Em carnes e músculos divinos e perecíveis,
Em cútis trigueira e olhos em fogo
E face de pluma que leve (quase metafísica) levita,
Espetáculo para quem antes arrumou o próprio palco
Dentro de si.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Onde estou? Dentro de tí.

 
Quarry
Ei, você que não sabe
Que eu vi quando tua lágrima caiu,
Que sempre estive perto, tão perto
Que você não viu que sempre estive dentro de você.
Você que não sabe que o brilho dos teus próprios olhos marejados
Sempre foram os faróis a me darem esperança,
Você que dança neste eterno caminhar
Como quem busca não se sabe o quê
Mas se quiser saber procure dentro de você
Pois dentro de mim, você já está.
Você que tem, o sentido de toda existência,
Que tem a latência de toda minha felicidade,
É só sorrir, para o dia nascer
E estas lágrimas que agora douram tua pele Rebente em prismas, pelos raios de luz, que se farão em pétalas a infestar o ar.


Foto: Elton
Fonte: http://olhares.uol.com.br/

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Até o limiar da dor.

Eu sei que há dores que o grito não basta para expressar
E que a lágrima é muito pouca para o quanto temos que sangrar
As pegadas na própria alma não são feitas para sair, mas apenas para machucar.

No meio da treva densa, dessa escuridão imensa você sumiu atravessada por uma lança, também a cair e gemer, também e como sempre, a sangrar.

Mas nestes casos a morte não resolve muita coisa, não dá para esquecer...a dor ultrapassa as vidas, pois o que doi hoje, vem de tempos de vidas e vidas, e sempre vem muito mais.

A dor de hoje tem a cor da luz de mercúrio, das velas caravagescas, é o bastante somente para ver o despero e os cavaleiros do apocalipse querendo muito mais.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Nada mais que isso.

O amor, a palavra antiga, atual, usada, mentida
Está acima do mencionado, da palavra escrita
Que fere o papel.
O amor é pétala ao vento, não vista mas sentida
É uma dor quer quer ser doída, é um olhar, um gesto, uma não-palavra
O que dizem os poemas, o que está rabiscado em desenhos, O que flutua no quadro
É rarefeito, é apenas o que foi possível na imensidão do sentir, escrever, desenhar, pintar.
O amor, quando amor verdadeiro, como o voo do pássaro, como o toque dos dedos, dos lábios...
Tudo é pequeno, pois muito pouco se pode dizer sobre o tanto ele seja
E é amor e nada mais do que isso, o que sinto.

Foto: Nika.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

O que nunca foi dito...

Quando a lágrima escorre,
Perolada, marchando sobre a face
Paira aí entre os ventrículos
Um momento de dor...

Quando a lágrima paira,
Escorregando entre o minuano
Entre os átomos,
Percorre como dor,
Um momento de solidão.

Mas, se de súbito surges,
Segue o sangue, o ar em meus pulmões
E meu ser voa como dantes,
Como as notas sangradas pelo violão

Surgem sóis e pássaros livres,
Surgem passos e passantes
Surgem a terra, a água e o ar
O fogo em mim, como nunca visto antes

Porque és em essência
O sentido de que houve
Do que existe e do que haverá
És a medida entre o ceu e a terra
És o fulgás e o que permanecerá.

Foto: X. Maya

sábado, 21 de maio de 2011

Pedido

Não dê-me tua face, floreio ou riso
Negue-me os gestos mais delicados
Negue-me o externo o verniz proferido
Negue-me o volume extridente dos brados

Negue-me o pão, o vinho ou o trigo
Furte-me o sol, o azul do firmamento
Pode-me a arte, os versos a estalar em gritos
Tudo, a essência do ser, os fundamentos

Mas não tua existência mesmo que em conflito
Não negue-me um fio de esperança
Pois para que a vida, para que a existencia valha
É preciso você: desde já minha quintessência
O bálsamo para o corte de mil navalhas.

A gota de orvalho que paira sobre a folha,
O voo do pássaro, a liberdade enfim
És o que me inspira, o que me esmera
Para um amor, ainda que seja de festim.

sábado, 16 de abril de 2011

Quando Surges...

Quando surges para mim, Esquiva, faceira, prudente... Quando surges como trovões A bradar no firmamento... Aguardo passar o inverno, Eu que quase sempre imprudente, Sei certo que se fará outono, E você flor, se despirá, Peça por peça, pétala por pétala, Qual folhas usurpadas pelo vento. Quando surges para mim, Como se quisesse sumir, Faze-se aparecer pelo contraste Da face a negar-me o olhar, E o seio crepitar-se em ânsias. Paciente mais uma vez, Vejo-a, sinto-a embora não a tenha... Não a tenho por não estar ainda, Plenamente em seu ser, em espírito, Pois a carne e os espasmos Apodrecem com o tempo. Por isso quero estar em você Em espírito, eu quero não tua carne Mas sim tua eternidade.

terça-feira, 22 de março de 2011

Poeminha quase brega.

Os sonhos de outonos distantes,
As astes dos trigais maduros
Dobrados pela ventanias,
Os monjolos, os moinhos carregados de tempo
Tudo isso é jovem, mui recente,
Perto de tua companhia.
És portanto algo novo,
Com gosto de outros tempos,
De um intuir, de pressentir notas ocultas.
És para mim um saber sem prova,
Uma latência, um sabor.
Uma existência quase íntima,
Mas ainda por existir.
És tudo que eu sei, ou do que,
Outrora saberia.
És o que eu sei que há,
Mas se fosse ter que contar,
Nem em versos poderia.
És o incontável,
Mas que porém, o tato,
A visão, e o palato, apreciam.

Foto: A noite Americana
Autor: R de Rien

quarta-feira, 9 de março de 2011

Chove



Chove em silêncio lá fora
Chove e troveja aqui dentro
Escorrem lágrimas nas calhas
Como sangue em veias
Vazadas pela lâmina fria das navalhas

Chuva de vento, chuva-vendaval
Um fuzilar de trovões dentro de mim
Por quase nada, muito pouco
Uma ira por ausências que não se explicam
Iras reais, e amores de festim

Mundo silentes, invisível
Risível para que não vê
Visões de tormentas e alegrias
Irresistível para quem te capta
Para quem te prova
Intransponível, o não te ter.

O cosmo e o caos em uma tez
Um simples rosto?
Complexo ser...o caos é tua ausência
O cosmo gira o redor do teu ser.

Foto: Mário Ferreira

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Quase Lágrima

Ainda estarei na pétala da rosa
Qual orvalho que paira
A espera de um raio de sol
Que o vaze, fazendo-o prisma

Ainda sim, estarei em raízes
Pois são nos bastidores do solo
Que fazem o espetáculo das folhas
Dos verdes...

Ainda em silêncio, te vejo
Quando passa minuano, em silêncio
Furacão de orgulho, olhos em fogo
Marcha forte...e um coração que não me engana.

Ainda em silêncio - tua face
Moldada por Deus-,há de gritar
Há de gritar meu nome,
Pois não há silêncio para um poeta que chora
Tampouco para um peito silente
E orgulhoso que ainda ama.

Foto:Lucy da motta

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Tudo Flui?



Em algumas linhas a tarde se vai
Os amores vãos vão como os pássaros
Em breves linhas as esperaças
Escorrem pelas mãos,
Qual gotas de orvalho que se esvaem

Em um olhar o aqui se torna distante
O agora agora torna-se antes
A presença de antes é agora o lembrar
É a ausência que torna-se gritante

Em breves momentos sem ti
Sente-se eternos tormentos
Tormentas de uma escaler sem velas
Náufrago sem Norte, sem sabe aonde ir.

Em breves momentos a cicuta
Sorvida como licor dos mais brandos
Pois a morte atrai o solitário
Como o vício atrai as hordas de vândalos.

Foto: Alexander Kharlamov

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Se meu mundo não fosse você.


Se meu mundo não fosse você
Ah se o mundo não fosse azul,
Fosse negro como a cor dos teus olhos,
Se o céu fosse límpido como a cor de tua pele,
E tudo que nos repele, me jogasse a você.
Ah se o mundo de todas as Marias das Dores,
Tivesse nesses poemas de hoje tão cinza,
As cores de uma fênix, que nasce das cinzas,
Que teimam em renascer dentro de mim.
Mas sei que os lírios dos campos...
Não Maria, aqui não tem lírios nos campos!
Mas se os girassóis me apontassem a tua direção,
Eu cá, um Ícaro nascido de um repente qualquer,
Acharia asas, ou uma rota qualquer
Para te achar entre ramos de flores,
Entre cores que pintam paisagens tão lindas,
Entre poemas latentes, esperando calados
Em pontos e vírgulas, estocados como o sabor
Dos vinhos, em adegas secretas dentro de mim.

Foto: J. Pedro Martins
Fonte: http://br.olhares.com/

sábado, 30 de outubro de 2010

O MUNDO NÃO PODE PAIRAR


Os faisões voam nos prados,
As papoulas nos campos nos convidam
Aos delírios que a retina puder alcançar.
Mas ainda assim, como uma pausa na música,
Como um pedaço que falta...está sua ausência
Qual um fardo para seios que cansados suspiram
Qual uma marcha infinda, que não pode parar.
Orvalhos como gotas de silêncio, como a rede de Ingra
Ligando todas as dores, pois, as dores movem este mundo
E o mundo meu anjo, não pode parar...
Não pode pairar!
Foto: Pedro Cabral