terça-feira, 27 de setembro de 2011
Até o limiar da dor.
E que a lágrima é muito pouca para o quanto temos que sangrar
As pegadas na própria alma não são feitas para sair, mas apenas para machucar.
No meio da treva densa, dessa escuridão imensa você sumiu atravessada por uma lança, também a cair e gemer, também e como sempre, a sangrar.
Mas nestes casos a morte não resolve muita coisa, não dá para esquecer...a dor ultrapassa as vidas, pois o que doi hoje, vem de tempos de vidas e vidas, e sempre vem muito mais.
A dor de hoje tem a cor da luz de mercúrio, das velas caravagescas, é o bastante somente para ver o despero e os cavaleiros do apocalipse querendo muito mais.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Nada mais que isso.
Está acima do mencionado, da palavra escrita
Que fere o papel.
O amor é pétala ao vento, não vista mas sentida
É uma dor quer quer ser doída, é um olhar, um gesto, uma não-palavra
O que dizem os poemas, o que está rabiscado em desenhos, O que flutua no quadro
É rarefeito, é apenas o que foi possível na imensidão do sentir, escrever, desenhar, pintar.
O amor, quando amor verdadeiro, como o voo do pássaro, como o toque dos dedos, dos lábios...
Tudo é pequeno, pois muito pouco se pode dizer sobre o tanto ele seja
E é amor e nada mais do que isso, o que sinto.
Foto: Nika.
domingo, 25 de setembro de 2011
Quero meu país de volta - Bruno Tolentino
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Para quem não sabe o que é conservadorismo: Roger Scruton!
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Universitários brasileiros leem apenas de 1 a 4 livros por ano, revela Andifes.
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Obs.: É essa população "educada" que está sendo formada para lecionar em escolas, universidades, a escrever em jornais e ocupar toda a cultura daqui a alguns anos. É essa gente que protesta contra a globalização, contra o aquecimento global, contra o livre mercado, contra a mercantilização da cultura. Essa gente é totalmente fake!
terça-feira, 26 de julho de 2011
segunda-feira, 27 de junho de 2011
O que nunca foi dito...
Quando a lágrima escorre,Perolada, marchando sobre a face
Paira aí entre os ventrículos
Um momento de dor...
Quando a lágrima paira,
Escorregando entre o minuano
Entre os átomos,
Percorre como dor,
Um momento de solidão.
Mas, se de súbito surges,
Segue o sangue, o ar em meus pulmões
E meu ser voa como dantes,
Como as notas sangradas pelo violão
Surgem sóis e pássaros livres,
Surgem passos e passantes
Surgem a terra, a água e o ar
O fogo em mim, como nunca visto antes
Porque és em essência
O sentido de que houve
Do que existe e do que haverá
És a medida entre o ceu e a terra
És o fulgás e o que permanecerá.
Foto: X. Maya
sábado, 21 de maio de 2011
Pedido
Negue-me os gestos mais delicados
Negue-me o externo o verniz proferido
Negue-me o volume extridente dos brados
Negue-me o pão, o vinho ou o trigo
Furte-me o sol, o azul do firmamento
Pode-me a arte, os versos a estalar em gritos
Tudo, a essência do ser, os fundamentos
Mas não tua existência mesmo que em conflito
Não negue-me um fio de esperança
Pois para que a vida, para que a existencia valha
É preciso você: desde já minha quintessência
O bálsamo para o corte de mil navalhas.
A gota de orvalho que paira sobre a folha,
O voo do pássaro, a liberdade enfim
És o que me inspira, o que me esmera
Para um amor, ainda que seja de festim.
domingo, 1 de maio de 2011
O Homem Conservador. Por: Titus Burkhard
Pensar desta maneira seria normal, mas o homem de hoje já não pensa normalmente. Mesmo quando não despreza automaticamente o passado e vê o progresso técnico como fonte de todo bem da humanidade, ele normalmente tem um preconceito contra qualquer atitude conservadora, pois, consciente ou inconscientemente, está influenciado pela tese materialista de que todo "conservar" é inimigo da vida em constante mudança e assim leva à estagnação.
O estado de necessidade em que hoje se encontra toda comunidade que não acompanhou a marcha do progresso técnico parece confirmar essa tese; mas as pessoas se esquecem que isso não é tanto uma explicação quanto um estímulo para um desenvolvimento ainda maior. Que tudo deva mudar é um dogma moderno que busca sujeitar o homem à própria mudança; e é avidamente proclamado, mesmo por aqueles que se consideram cristãos sinceros, que o próprio homem está nas garras da mudança; que não somente os sentimentos e pensamentos passíveis de serem influenciados pelo ambiente estão sujeitos à mudança, mas também o próprio ser do homem.
Dizem que o homem está a caminho de se desenvolver mental e espiritualmente até se transformar em um super-homem, e, consequentemente, o homem do século XX é visto como ume criatura diferente do homem de antigamente. Em meio a tudo isso, esquece-se a verdade, proclamada por toda religião, de que o homem é o homem, não meramente um animal, porque tem dentro de si um centro espiritual que não está sujeito ao fluxo das coisas. Sem este centro, que é a fonte da capacidade humana de tecer julgamentos – e portanto pode ser chamado de órgão espiritual que veicula o senso da verdade –, não poderíamos nem mesmo reconhecer a mudança no mundo que nos rodeia, pois, como disse Aristóteles, aqueles que declaram que tudo, inclusive a verdade, segue um fluxo constante se contradizem: pois se tudo muda, sobre qual base eles podem formular uma afirmação válida?
É preciso dizer que o centro espiritual do homem é mais do que a psique, sujeita como ela está a instintos e impressões, e também mais do que o pensamento racional? Há algo no homem que o liga ao Eterno, e este algo encontra-se precisamente no ponto aonde "a Luz que ilumina todo homem que vem ao mundo" (João, 1, 9) toca o nível das faculdades psico-físicas.
Se esse cerne imutável no homem não pode ser captado diretamente – como também não o pode o centro sem dimensões de um círculo – as vias de aproximação a ele podem não obstante, ser conhecidas elas são como os raios que correm em direção ao centro de um círculo. Essas vias de aproximação constituem o elemento permanente em toda tradição espiritual e, como linhas mestras tanto para a ação quanto para aquelas formas sociais que se dirigem para o centro, constituem a verdadeira base de toda atitude verdadeiramente conservadora. Pois o desejo de conservar certas formas sociais só tem sentido – e essas formas só podem perdurar – se elas dependerem do centro intemporal da condição humana.
Em uma cultura que, a partir de suas próprias fundações (graças à origem sagrada), está dirigida para o Centro espiritual e portanto para o eterno, a questão do valor ou da ausência de valor de uma atitude conservadora não se coloca; a própria palavra para isso não existe. Em uma sociedade cristã, os homens são cristãos – mais ou menos consciente e deliberadamente –, em uma sociedade islâmica eles são muçulmanos, em a uma sociedade budista eles são budistas, e assim por diante; se alguém não o é simplesmente, não pertence à sua respectiva comunidade e não é parte dela, antes coloca-se fora dela ou lhe é secretamente inimigo.
Uma cultura como essa vive de uma força espiritual que imprime sua marca em todas as formas, desde a mais elevada até a mais contingente, e ao fazer isso ela é verdadeiramente criativa; ao mesmo tempo, ela tem necessidade de forças de conservação, sem as quais as formas logo desapareceriam. Basta que tal sociedade seja mais ou menos integral e homogênea para que a fé, a lealdade à tradição e uma atitude conservadora espelhem-se umas às outras como círculos concêntricos.
A atitude conservadora só se torna problemática quando a ordem da sociedade, como na Europa moderna, já não é determinada pelo eterno; a questão então se coloca, seja qual for o contexto, de saber quais fragmentos ou ecos da ordem outrora oniabarcante mereceram ser preservados. Em toda configuração da sociedade (e uma configuração hoje segue-se à outra em uma sucessão cada vez mais rápida), os protótipos originais nela estão refletidos de uma ou de outra maneira. Mesmo se a estrutura anterior é destruída, alguns de seus elementos individuais continuam efetivos; um novo equilíbrio – por mais deslocado e incerto que seja – é estabelecido depois de cada rompimento com o passado. Certos valores centrais são irremediavelmente perdidos; outros, mais periféricos em relação ao plano original, tomam a dianteira. A fim de que estes também não sejam perdidos, pode ser melhor preservar o equilíbrio existente do que arriscar tudo em uma tentativa incerta de renovar o todo.
Tão logo esta escolha se apresenta, a palavra "conservador" entra em cena – na Europa, ela foi adotada pela primeira vez na época das guerras napoleonicas –, e o termo fica marcado pelo dilema inerente à própria escolha. Todo conservador é imediatamente suspeito de querer apenas preservar seus privilégios sociais, por pequenos que sejam. E nesse processo a questão de saber se o objeto da preservação vale a pena ser preservado é deixada de lado. Nas por que a vantagem pessoal deste ou daquele grupo não poderia coincidir com a Justiça? E por que determinadas estruturas e determinados deveres sociais são poderiam ser proveitosos para uma certa inteligência?
Que o homem raramente desenvolve a inteligência quando carece dos estímulos exteriores correspondentes é provado pelo pensamento do homem comum de hoje em dia; só muito poucos – em geral, somente aqueles que em sua juventude experimentaram um fragmento da "velha ordem", ou que tiveram a oportunidade de visitar uma cultura oriental ainda tradicional – podem imaginar Quanta felicidade e paz interior uma ordem social estratificada de acordo com as vocações naturais e as funções espirituais pode oferecer, não somente às classes dominantes, mas também às classes trabalhadoras.
Em nenhuma sociedade humana, por mais justa que ela possa ser como um todo, as coisas são perfeitas para todo indivíduo, mas há uma prova segura de se uma dada ordem oferece ou não felicidade à maioria: esta prova é inerente a todas aquelas coisas que são feitas, não com algum propósito material, mas com alegria e devoção. Uma cultura em que as artes são criação exclusiva de uma classe especialmente educada – de maneira que não há mais nenhuma arte popular ou nenhuma linguagem artística universalmente entendida – fracassa complemente a este respeito. A recompensa exterior de uma profissão é o rendimento que sua prática pode assegurar; mas sua recompensa interior é que ela deveria lembrar o homem do que, por natureza e vindo de Deus, ele é e a este respeito não são sempre as ocupações mais bem sucedidas que são as mais felizes.
Cultivar a terra, orar por chuva, criar alguma coisa significativa a partir da matéria bruta, compensar a carência de alguns com o excesso de outros, governar estando ao mesmo tempo preparado para sacrificar a própria vida pelos governados, ensinar por amor à verdade – estas, entre outras, são as ocupações interiormente privilegiadas. Poder-se-ia perguntar se, como resultado do "progresso", elas aumentaram ou diminuíram.
O homem tornou-se sua própria medida, diriam muitos hoje, quando, como trabalhador, ele posta-se diante de uma máquina. Mas a verdadeira medida de um homem consiste em que ele possa rezar e abençoar, lutar e governar, construir e criar, plantar e colher, servir e obedecer – todas essas coisas pertencem ao homem.
Quando, hoje, certo elemento urbano exige que o sacerdote despoje-se dos sinais de sua função e viva o máximo possível como os outros homem, isto apenas prova que esses grupos já não sabem o que o homem fundamentalmente é; perceber o homem no sacerdote significa reconhecer que a dignidade de sacerdote corresponde infinitamente mais à natureza humana original do que o papel representado pelo homem "comum". Toda cultura geocêntrica tem uma hierarquia mais ou menos explícita de classes sociais ou "castas". Isto não significa que ela considere o homem como uma mera parte que só encontre sua realização no povo como um todo; significa, ao contrário, que a natureza humana é em si mesma demasiado rica para que todos a todo momento estejam aptos a realizar todos os seus aspectos. O homem perfeito não é a soma total, mas o cerne ou a essência de todas as várias funções. Se as sociedades hierarquicamente estruturadas puderam se manter por milênios, isto se deve não à passividade dos homens ou ao poder dos governantes, mas ao fato de que tais ordens sociais correspondiam à natureza humana.
Há um erro muito difundido que diz que a classe naturalmente conservadora é a burguesia, que originalmente identificou-se com a cultura das cidades, onde se originaram todas as revoluções dos últimos quinhentos anos. A burguesia, de fato, especialmente como conseqüência da Revolução Francesa, desempenhou um papel conservador, e ocasionalmente assumiu alguns ideais aristocráticos – não, contudo, sem tirar partido deles e gradualmente falsificá-los. Em meio à burguesia, sempre houve conservadores que se baseavam na inteligência, mas desde o começo eles foram minoria.
O camponês é em geral conservador; ele o é, por assim dizer por experiência, pois ele sabe – mas quantos ainda sabem? – que a vida da natureza depende da constante auto-renovação de um equilíbrio de inumeráveis forças inter-relacionadas, e que não se pode alterar nenhum elemento deste equilíbrio sem comprometer o todo. Basta simplesmente desviar o curso de um ribeirão para alterar a flora de toda uma área ou eliminar uma espécie animal, permitindo imediatamente a outra espécie crescer de maneira devastadora. O camponês não acredita que se possa produzir chuva ou sol a bel prazer.
Seria errôneo concluir daí que o ponto de vista conservador está acima de tudo ligado ao sedentarismo e ao apego do homem ao solo, pois já se demonstrou que nenhuma coletividade humana é mais conservadora do que os nômades. Em todo o seu constante vagar, o nômade está atento em preservar sua herança de linguagem e costumes; ele resiste conscientemente à erosão do tempo, pois ser conservador não significa ser passivo.
Esta é uma característica fundamentalmente aristocrática; neste ponto, o nômade assemelha-se ao nobre, ou, para ser mais preciso, a nobreza que se origina na casta guerreira tem necessariamente muito em comum com o nômade. Ao mesmo tempo, contudo, a experiência de uma nobreza que ainda não foi estragada pela vida da corte e da cidade, que ainda está ligada à terra, assemelha-se à do camponês, com a diferença que ela abrange relacionamentos territoriais e humanos muito mais amplos. Quando, pela hereditariedade e pela educação, a nobreza está consciente da identidade essencial entre as forças da natureza e as forças da alma, ela possui uma superioridade que dificilmente pode-se adquirir de outra maneira; e todo aquele que está consciente de uma genuína superioridade tem o direito de insistir nela, do mesmo modo que em qualquer arte o mestre tem o direito de preferir seu próprio julgamento ao daquele que é inexperiente.
Há que se entender que a superioridade da aristocracia depende tanto de uma condição natural quanto de uma condição ética: a condição natural é que, dentro da mesma família ou tribo, pode-se, em termos gerais, depender da transmissão por herança de certas qualidades e capacidades; a condição ética expressa-se no dito "noblesse oblige": quanto mais elevado o nível social – e seu privilégio correspondente – maior a responsabilidade e a carga de deveres; quanto mais baixo o nível, menor o poder e em menor número os deveres, até a existência eticamente indiferente das pessoas passivas. Se as coisas não são sempre perfeitas, isto não se deve principalmente à condição natural da hereditariedade, pois esta é suficiente para garantir indefinidamente a natureza homogênea de uma "casta"; o que é muito mais incerto é o cumprimento da lei ética, que exige uma combinação equilibrada de liberdade e dever. Não há sistema social que exclua o mau uso do poder; e se houvesse algum, ele não seria humano, desde que o homem só pode ser homem se ele se conforma simultaneamente à uma lei natural e a uma lei espiritual. O mau uso do poder hereditário, portanto, nada prova contra a lei da nobreza, ao contrário, só o exemplo daquelas poucas pessoas que, quando privadas do privilegio hereditário, nem por isso renunciam à sua responsabilidade hereditária já basta para provar a tendência ética da aristocracia. Quando, em muitos países, a aristocracia caiu por causa de sua própria autocracia, isto se deu não tanto por que ela foi autocrática para com os níveis inferiores, mas antes porque ela foi autocrática em relação à lei superior da religião, a única que forneceu à aristocracia sua base ética e moderou com a misericórdia o direito dos fortes.
Desde a derrocada, não apenas da natureza hierárquica da sociedade, mas de quase todas as formas tradicionais, o homem conscientemente conservador encontra-se por assim dizer em um vácuo. Ele se acha só em um mundo que, com toda a sua escravidão opaca, jacta-se de ser livre e, com toda a sua uniformidade compressora, jacta-se de ser rico. Gritam-lhe aos ouvidos que a humanidade está desenvolvendo-se continuamente em sentido ascendente, que a natureza humana, depois de se desenvolver por tantos e tantos milhões de anos, passou agora por uma mutação decisiva, que a levará à sua vitória final sobre a matéria. O homem conscientemente conservador encontra-se só entre notórios bêbados, é o único desperto em meio a sonâmbulos que tomam seus sonhos por realidade. Pelo entendimento e pela experiência, ele sabe que o homem, com toda a sua paixão pela novidade, continua fundamentalmente o mesmo, para o bem ou para o mal; as questões fundamentais da vida humana têm sido sempre as mesmas; as respostas a elas são conhecidas desde sempre, e, na medida em que podem ser expressas em palavras, têm sido transmitidas de geração em geração. O homem conscientemente conservador interessa-se por esta herança.
Visto que quase todas as formas tradicionais de vida estão destruídas, raramente se concede a ele participar de um trabalho universalmente útil e significativo. Mas toda perda implica em um ganho: o desaparecimento das formas pede por uma provação e um discernimento; e a confusão no mundo que nos rodeia é um chamado para que, desviando-se de todos os acidentes, voltemo-nos para o essencial.
sábado, 16 de abril de 2011
Quando Surges...
Quando surges para mim, Esquiva, faceira, prudente... Quando surges como trovões A bradar no firmamento... Aguardo passar o inverno, Eu que quase sempre imprudente, Sei certo que se fará outono, E você flor, se despirá, Peça por peça, pétala por pétala, Qual folhas usurpadas pelo vento. Quando surges para mim, Como se quisesse sumir, Faze-se aparecer pelo contraste Da face a negar-me o olhar, E o seio crepitar-se em ânsias. Paciente mais uma vez, Vejo-a, sinto-a embora não a tenha... Não a tenho por não estar ainda, Plenamente em seu ser, em espírito, Pois a carne e os espasmos Apodrecem com o tempo. Por isso quero estar em você Em espírito, eu quero não tua carne Mas sim tua eternidade.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
CURSO! UMA ANÁLISE DO HOMEM MODERNO - INSTITUTO SER FUNDAMENTOS.
O Istituto Ser Fundamentos começa suas atividades de modo bastante modesto, porém contundente. O primeiro curso que se iniciará dia 02/04/2011 no Colégio Santo Antônio de Barbalha a partir das 9:00 h tem por título "Uma análise do homem moderno - Uma releitura filosófica". O curso tem por objetivo estudar e desenvolver uma análise de clássicos da FILOSOFIA e da literatura moderna que demonstram de forma artístico-filosófica as transformações do modo do homem ver, entender e relacionar-se com o mundo. O Instituto Ser Fundamentos vem ofertar a possibilidade de uma reflexão filosófica através das obras de autores consagrados buscando identificar o que motivaram e qual o elenco de transformações humanas que movem o curso da micro-história que nada mais é que a história de cada um de nós. Não há como negar as transformações culturais em vista, seja pela notável decadência da cultura ocidental, seja pelo declínio da civilização judaico-cristã ou pela quase total anomia dos valores morais. Mas onde acharíamos pistas do que foi perdido? Que método investigar? Por onde começar? A lista de autores é bem sugestiva, porém, o estudo de modo contínuo, intercalados por uma gama de outros textos introdutórios nos dará uma perspectiva mais abrangente em relação ao problema. Sinta-se convidado.
domingo, 27 de março de 2011
Educar é elevar o espírito.
Autor: Rodrigo Chiuso
Fonte: http://www.diogochiuso.com
terça-feira, 22 de março de 2011
Poeminha quase brega.
Os sonhos de outonos distantes,As astes dos trigais maduros
Dobrados pela ventanias,
Os monjolos, os moinhos carregados de tempo
Tudo isso é jovem, mui recente,
Perto de tua companhia.
És portanto algo novo,
Com gosto de outros tempos,
De um intuir, de pressentir notas ocultas.
És para mim um saber sem prova,
Uma latência, um sabor.
Uma existência quase íntima,
Mas ainda por existir.
És tudo que eu sei, ou do que,
Outrora saberia.
És o que eu sei que há,
Mas se fosse ter que contar,
Nem em versos poderia.
És o incontável,
Mas que porém, o tato,
A visão, e o palato, apreciam.
Foto: A noite Americana
Autor: R de Rien
quarta-feira, 9 de março de 2011
Chove

Chove e troveja aqui dentro
Escorrem lágrimas nas calhas
Como sangue em veias
Vazadas pela lâmina fria das navalhas
Chuva de vento, chuva-vendaval
Um fuzilar de trovões dentro de mim
Por quase nada, muito pouco
Uma ira por ausências que não se explicam
Iras reais, e amores de festim
Mundo silentes, invisível
Risível para que não vê
Visões de tormentas e alegrias
Irresistível para quem te capta
Para quem te prova
Intransponível, o não te ter.
O cosmo e o caos em uma tez
Um simples rosto?
Complexo ser...o caos é tua ausência
O cosmo gira o redor do teu ser.
Foto: Mário Ferreira
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Quase Lágrima
Ainda estarei na pétala da rosaQual orvalho que paira
A espera de um raio de sol
Que o vaze, fazendo-o prisma
Ainda sim, estarei em raízes
Pois são nos bastidores do solo
Que fazem o espetáculo das folhas
Dos verdes...
Ainda em silêncio, te vejo
Quando passa minuano, em silêncio
Furacão de orgulho, olhos em fogo
Marcha forte...e um coração que não me engana.
Ainda em silêncio - tua face
Moldada por Deus-,há de gritar
Há de gritar meu nome,
Pois não há silêncio para um poeta que chora
Tampouco para um peito silente
E orgulhoso que ainda ama.
Foto:Lucy da motta
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Tudo Flui?

Em algumas linhas a tarde se vai
Os amores vãos vão como os pássaros
Em breves linhas as esperaças
Escorrem pelas mãos,
Qual gotas de orvalho que se esvaem
Em um olhar o aqui se torna distante
O agora agora torna-se antes
A presença de antes é agora o lembrar
É a ausência que torna-se gritante
Em breves momentos sem ti
Sente-se eternos tormentos
Tormentas de uma escaler sem velas
Náufrago sem Norte, sem sabe aonde ir.
Em breves momentos a cicuta
Sorvida como licor dos mais brandos
Pois a morte atrai o solitário
Como o vício atrai as hordas de vândalos.
Foto: Alexander Kharlamov
domingo, 6 de fevereiro de 2011
QUANDO A ARTE LUTA CONTRA A DECADÊNCIA
Mário Ferreira dos SantosA razão quis roubar-nos a ilusão, o sonho, a fantasia. A libertação do homem (esse sofredor animal de milénios de tiranias) será iniciada ao quebrar as algemas que a razão, mal orientada, construiu para acorrentar-lhe o espírito.
O homem de amanhã filosofará como Apolo e Dioniso. Então a arte ajudará a redimir os homens, dizem muitos, porque somente pela arte o homem se salvará, mas só quando pela arte puder ser ele salvo.
Para Nietzsche a arte é o "movimento contrário" à decadência que se processa no Oriente. E, para ele, o filósofo "artista" é o conselho mais elevado da arte. É pelo caráter tumultuário de nossa vida de criação, que toda e qualquer tentativa de desejarmos emprestar fórmulas únicas representa uma violentação. Ademais, querer impor uma única perspectiva é colocar-se do ângulo de uma verdade para todos, fora da qual não há salvação. Lutar por suas ideias é um direito e um dever, mas também o é respeitar as alheias. Há um direito de ser diferente, de "não ir por aí". Igualmente em arte seria o perecimento da arte, seria estrangular o poder criativo do artista. Que se orgulhem as rãs de não ter asas, mas respeitem os pássaros em seus voos.
O que devemos desprezar na arte moderna é o artificialismo que se apresenta como elementar, primitivo. É o que sôbre-excede ao natural, o requinte de uma desvitalização, da impossibilidade de criar.
Estamos, inegavelmente, num instante trágico da história humana. Assistimos ao esquecimento de tantas verdades que foram caras à humanidade. Vemos a instalação de uma escala de valores utilitários, que dominou e domina. Há esperanças de algo novo, mas ao mesmo tempo, indecisão quanto às diretrizes desse futuro. A humanidade deseja renovar-se porque cansou de sua descrença. É o fruto de sua longa deserção da vida, porque os senhores da vida não souberam deixá-la viver e gozar em paz o seu quinhão. As camadas mais fracas são sempre as primeiras a sofrer nas horas de sacrifício, de prejuízo e de falta, e as últimas a ganhar nas horas da vitória. Aos erros dos senhores da vida, sobrevêm o sacrifício dos pequenos ...Devemos desprezar na arte moderna o seu artificialismo, repetimos. E este se apresenta muitas vezes com as cores da originalidade, da simplicidade, do primitivismo. Mero produto consciente de uma eleição desejada, em sua incompletação e em seu esboçar-se, e quer dar a impressão de obra nascida num instante de inspiração. O pintor vazio, que nada tem a dizer, traça três ou quatro pinceladas simbólicas, ou significativas, para repetir um tema já usado, gasto, explorado, para que reflita no espectador o sentir que está na moda.
Nada mais decepcionante do que essas exposições de arte, onde centenas de novos são apresentados sem refletirem qualquer personalidade, copiando mal, e que a crítica fácil depois elogia, classifica, compara, quando não lhes atribui características de genialidade.
Talvez um dia, quando a nossa era for examinada pela posterioridade, a falta de dignidade que se observa em todas as manifestações humanas seja o característico mais saliente que a distinguirá das outras.
Nunca na história humana se justificou tanto a fábula da raposa sem cauda do que nesta que atravessamos. O homem de valor notório nega tudo quanto não tem. O mau orador nega o valor da oratória; o incapaz de escrever coi sas profundas nega o valor da profundidade; o borra-qua-dros nega o valor da pintura do passado. Improvisam-se genialidades com a rapidez das notícias e das modas.
Três anos bastam para não se compreender nem sentir o corte de uma roupa, o padrão de um par de sapatos. Aos vestidos compridos sobrevêm os vestidos curtíssimos, e vice-versa. Uma estação, para outra, distancia tanto o modo de vestir, como antigamente distanciavam os lustros, os séculos até. É à velocidade que eles emprestam o porquê de tais factos. Propriamente a incapacidade de duração das afeições e gostos nunca foi uma prova de superioridade, e sim de inferioridade. São precisamente os "ventoinhas" que se deixam arrastar pelo agradável do passageiro ou pelo passageiro do agradável.

Não há um sentido dominante de querer a beleza. O provisório ameaça tudo, e ao domínio dos sucessos, dos "big-light-names", sucede o esquecimento sepulcral. Quantos heróis da humanidade esquecidos nesses três decénios, que, dentro talvez de outros três lustros, ninguém mais saberá dizer o que eram.
Mas, de entre cem pequenos artistas supérfluos, um ou outro desponta. Há nomes que vencerão o tempo. Se olharmos vinte anos para trás, veremos na literatura quantas promessas que despontavam e vemos, hoje, quantas realidades dessas promessas que ficaram. E das esperanças de hoje deixemos que sobrevenham mais vinte anos, para que fiquemos sabendo quantas são meras aparências.
O vazio expressional de certa arte é o que determina de início a sua morte. Quem nada diz para a vida ou para os homens, mas apenas explora um sentimento passageiro, uma emoção ou simpatia momentânea, e não fixa, em cores firmes, o que deseja expressar, não conseguirá sobreviver! Muitos artistas proclamam que não desejam ir além de si, e que lhes basta a notoriedade, e que a glória não lhes é o estímulo, e preferem a vitória do momento que passa, cuja fruição lhes está às mãos, e não trocarão o prato de lentilhas do renome pela esperança de serem amados amanhã, e compreendidos por outros, à custa, muitas vezes, da incompreensão de seus contemporâneos. Não os acusemos. São apenas mercadores das emoções e dos gostos transeuntes, embora chamem de novas mensagens as suas obras. Mensageiros da novidade e do modismo. Não pertence aos mercadores o desejo da imortalidade, mas aos estetas.
Em meio desses exploradores da arte, desses valores convencionais, o leitor sente-se perdido. Não sabe escolher, nem guiar-se. O elogio fácil, a glória proclamada de uns por outros, infunde ao leitor a convicção de que encontra pela frente o definitivo. À sua decepção sucedem decepções. Nada lhes dizem de novo. Contam-lhe apenas o que já sabe, o que já está cansado de sentir. Emocionam-no passageiramente, porque lhe despertam os instintos mais facilmente despertáveis, que não lhe deixam, porém, ressonâncias, mas um desgosto que não sabe definir.
Como todas as tendências buscam justificar-se, essas também possuem sua casuística, sua lógica, seus argumentos, suas teorias. Todas atitudes em arte são justificáveis; basta que aceitemos um ou outro postulado. Mas o que marca o valor de uma obra é alguma coisa que está ligado ao tempo. Não é exclusividade de nossa época os literatos que envelhecem em poucos anos. Na velha Alexandria e em todas as culturas, houve milhares de outros, cujos nomes estão no pó dos arquivos. Também foram expressões que ofuscaram. Pertence à história da arte a regra geral de que os artistas que obtêm vitórias fáceis não são os que deixam seu nome como um exemplo. Todo artista, que, ainda jovem, se julga com direito à glória, pratica um ato de juventude, compreensível. Se todos soubessem o perigo que existe na vitória fácil, muitos desejariam a glória tardia de um Romain Rolland, de um Simões Lopes Neto.
Só a maturidade pode conhecer a verdadeira glória. Neste caso, argumentar-se com as exceções de um Castro Alves ou de Álvares de Azevedo não é suficiente, porque exceções.
Há, entre esses artistas modernos, muitos que são apenas mercadores da arte. Há pintores que apenas vendem quadros. Há escritores que apenas vendem livros. É isso uma fatalidade de nossa época, uma fatalidade impressionante, mas que devemos compreender.
Mas não neguemos que esse aspecto puramente mercantil da arte tem sido também um estímulo para grandes obras. A miséria também nos deu grandes inspirações, e é de temer que, para os artistas, a superabundância não lhes afaste da verdadeira musa.
Lembremos que, em Alexandria, havia dramaturgos que eram preferidos a Sófocles, como hoje há dramaturgos preferidos a Shakespeare. Isso não impede que Shakespeare e Sófocles atravessem os séculos, e dos outros fique apenas a memória de sua passagem.
Não somos contra os artistas menores. Quase sempre é menor o artista que se torna grande. Os artistas menores são necessários também para dar relevo aos grandes. A grandeza é apenas uma relação. E que seria dos raros se não fossem os supérfluos?
Deixemos agora falar Spengler: "Que é que hoje chamamos arte? Uma música mendaz, artificioso estrondo de massas instrumentais; uma pintura mendaz, cheia de efec-tismos idiotas e exóticos, mais próprias dos cartazes de anúncios; uma arquitetura mendaz, que cada dez anos saqueia o tesouro das formas pretéritas, para "fundar" um novo estilo, ao qual cada um faz o que lhe dá vontade de fazer; uma plástica mendaz, feia dos roubos perpetrados na Assíria, no Egito, no México. E, contudo, o gosto dos mundanos considera isso como a expressão do tempo actual Ademais o que permanece adito aos velhos ideais, é lúbrica ocupação provinciana". E prossegue: "Em lugar de se pôr ao serviço de seu simbolismo, os artistas utilizam o cadáver, a múmia da arte, o caudal das formas já usadas, para recompô-los, misturando-as, trocando-as por uma forma totalmente inorgânica. Toda a modernidade c
onfunde variação com evolução".Mas o que sucede hoje já sucedeu muitas vezes na história; nem sequer conserva o cunho da originalidade, a nova musa dos modernos.
Essas palavras de Spengler são o eco, no século vinte, daquelas que, no século dezenove, Nietzsche exclamou, quase quarenta anos antes:
"Do mesmo modo que os velhos recordam a mocidade e celebram festas comemorativas, assim também a humanidade se deixa levar a uma consideração da arte como uma "recordação emocionante" dos prazeres juvenis.
Nós, porém, continuaremos a crer nas madrugadas.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Se meu mundo não fosse você.

Se meu mundo não fosse você
Ah se o mundo não fosse azul,
Fosse negro como a cor dos teus olhos,
Se o céu fosse límpido como a cor de tua pele,
E tudo que nos repele, me jogasse a você.
Ah se o mundo de todas as Marias das Dores,
Tivesse nesses poemas de hoje tão cinza,
As cores de uma fênix, que nasce das cinzas,
Que teimam em renascer dentro de mim.
Mas sei que os lírios dos campos...
Não Maria, aqui não tem lírios nos campos!
Mas se os girassóis me apontassem a tua direção,
Eu cá, um Ícaro nascido de um repente qualquer,
Acharia asas, ou uma rota qualquer
Para te achar entre ramos de flores,
Entre cores que pintam paisagens tão lindas,
Entre poemas latentes, esperando calados
Em pontos e vírgulas, estocados como o sabor
Dos vinhos, em adegas secretas dentro de mim.
Foto: J. Pedro Martins
Fonte: http://br.olhares.com/


