segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Alguma poesia resta...

O que conta no ruflar das horas
Finais de tua existência
É o quanto há de poesia
No íntimo do íntimo de tua essência

O cheiro que busca o faro
Ao passar do tempo
É a busca do quando do prado ficou
Em teu corpo até este momento

Se não viste nada, nada de lírios nos prados
Nada do lirismo nos versos ou na frente da tua vida
Nada, nenhuma suspeita?
Olha atenta ao verso
Que a tua vida espreita
Há poesia até na química complexa
No remédio que teu médico te receita.

Foto:Fernando Figueiredo
Título:Instrumento musical I-Na Poesia da Escrita

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

As rosas falam...e muito.

Poeminha em homenagem a Cartola

As rosas falam...e muito.
Cartola homem,
As rosas falam faz tempo!
Há na cor de cada pétala
Uma palavra para quem estiver atento.

Há rimas de pura magia
No bojo de cada corola .
Eu diria uma antologia
No âmago de cada rosa.
Há sim versos ali contidos
Como a magia do parto
Dos poemas como passe de mágica
Nasciam de tua cartola.


Foto: Milton Montenegro

A arte de viver hoje em “dia”.

Na vigilância dos sonhos,
Na arte de meus pecados
Crepita o que me é medonho
Salta aos olhos por meio de brados

Salta num real delírio
Exalando fragrâncias falsas
Como a fragrância do lírio
Sintético que trago no bolso da calça

Toma forma e corpo
Na argamassa dos músculos
Nos vergalhões dos ossos
Mentira erguida num esforço hercúleo

Toma formas de vida
Toma formas de arte
Percorre tantas veias
Marcha por toda parte

Assim,
Procura-se a verdade em forma de arrebol
Em face de tantas mentiras fadadas
Sigo então qual um girassol
Cego, perdido numa eterna madrugada.

Foto: Bruno Santos
Título: Quase um Girassol

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Quase plural - Solidão.

Amanhã, quando os românticos não serão tidos como tolos
Lembra-te de mim, que estou a professar teu nome desde já,
Que há tempos tateio tua face no escuro, que beijo teus lábios em sonhos na brisa.
Há tempos, tem sido Meca que oro em tua direção
Tem sido meu norte, minha perdição
Minha casa, minha sede, minha comida, minha utopia
Que alimenta minh’alma, na ração dos dias.
Há tempos, no empurrar das horas que seqüestram minha atenção
Tem sido o verbo, a vírgula, a exclamação!
No compasso dos dias que a febre exalta,
Para permanecer meus delírios por ti, sempre em retidão.
Há tempos que você sempre tenta, quase plural
Há...eu solidão.
Há tempos... que eu sei que você é um mundo, espaço e tempo em transformação.

Foto: Ana Rita Rodrigues
Título: O tempo passa o amor não.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

S(C)em palavras, apenas com pontos.

Eu grito, pois minha voz já muito
No exílio esteve.
E assim tive dias de fome,
E noites infinitas de sede.

Onde meus verbos, quase todos alvejados,
Mesmo que tão famintos,
Na altivez do próprio instinto
Sangravam rosa nos prados.

Eu brado, pois, até minhas vírgulas
Quase imóveis, cheias de feridas,
Choravam, e em cada partícula
Do seu pranto nasciam margaridas.

E mesmo na altivez da teimosa,
Exclamação!
Cede com cautela a sua vez,
Ao ponto de interrogação. (?)

Foto: Fotografamador
Fonte: http://olhares.aeiou.pt/palavras_e_mais_palavras_foto730799.html

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Teoria da Relatividade

Há sempre o gênio que irrompe
Com violência o próprio tempo
Com a rapidez de quem consome
E espaço tal qual o vento

Meu tempo nem sempre é hoje
Nem tampouco amanhã seria
Meu tempo é atemporal
Nos ponteiros da poesia

Com vigas de versos paraplégicos
Sobre um terreno arenoso
São poemas às vezes letárgicos
Qual um fruto venenoso

Sem tempo portanto, para tantas vitórias
Eu ainda procuro nos becos
Montado no verbo em seu dorso
O tempo de minha própria glória!

Eu ainda procuro
Com lupas seculares
Erguer sonetos no escuro
Para quem os puder enxergares

Há sempre o gênio que irrompe
Com violência o próprio tempo
Que o diga qualquer poeta,
Primo-irmão do vento.

Foto:Daniel Pedrogam

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Incursões na Alma

Eu, homem feito, condenado pela eternidade
A carregar esta carcaça “bigornocorpórea”
Sobre meu coração-libélula de criança

Ainda, pelas madrugadas insones
Gemo num uivo surreal
Debatendo-me sobre as correntes
Que me agrilhoam as pernas finas, falidas de músculos
Que atam os braços finos e cabeludos
Como os átomos que gravitam a valsar
Na camada mais externa do meu ser

Eu, homem feito, na força explosiva do meu peito
Em transmutações violentíssimas
Re(volto) grido a mais tenra infância
Onde, quando rei, libertava pelos ares meus súditos
A declamar poemas...homens, mulheres e crianças.

Foto: Lino Matos

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Sem poesia

Aqui, bem aqui, onde as plumas valsam ao sol do meio dia
Aqui, onde as vagas não chegam, onde as gotas não caem
O tempo é sol, e sendo este dia e noite protagonista da dor,
Pai do medo e da fome, não sobraram poetas para cantá-lo.
Aqui, bem onde desconfio ser o coração do sol
Não existem Leminsks, não cantam Jobins
Dalís morrem ao primeiro raio de realidade
Cá, somente valsam viventes com almas em frangalhos
Olhos secos de arte, cegos de fome, fome, de quem não come mais as migalhas
Sequer de um só sonho. Medonho!
Aqui, onde a lua é mera tolice, luz boba e teimosa, inútil.
Útil seria cá entre meus dedos, para torcê-la,
Assim como fiz nas carnes de Maria, e a vi gemer...
Assim queria-a, entre meus dedos para ver se ela me gemeria
Um só gole d’água, para uma garganta sedenta, fomenta e atordoada pela realidade.

Foto: Deise Rezende

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Conversas com o Ego

Eu quando rei! Não não não...quando quis ser...
Aliás, eu não queria. Era meu ego.
Eu, numa outra vida, quando cego, nas ruas de Roma ...não não não
Este meu ego não é quem dome. Flagrei-lhe posando de cego para mostrar-se sábio...
Eu, ainda hoje, muito tolo, quando muito, as vezes não minto
Mas muito (in)discreto brado aos sussurros entre goles de rum o nome,
Finalmente meu nome: Sávio

Foto: Daniela Vasques

Entre vinhos e versos perversos

Noite de vinho e de versos
De goles de trevas, de vagas se solidão
Sobre mim.

Tempo de liras e ébrios
Que furtam os prazeres entre dores,
Que furtam cores entre noites
De cinzas

Goles de vinhos, olhos, pérolas ao fitar
Pernas entre valsas, laços entre mãos
Carnes entre dentes a gemer
Carnes em espasmos a gozar

Vinho que me embala entre sonhos fortuitos
Vinho que intuito é me embriagar
Vinho que valsa entre delírios
E eu entre lírios, sentindo as vagas
Do mar ao me acordar

Foto: Rodrigo Mizumoto

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Amor. Teatro de Revista

O amor é coisa simples, é uma valsa adocicada
Um fim de tarde com as réstias de sol vinda dos quintais
Invadindo a cozinha.

O verdadeiro amor sempre me lembra um fim de tarde.
Eu copiando os quadros do Renoir aos dez anos de idade
A chuva de verão, a faca sangrando os figos para o sabor dos olhos,
O cheiro de domingo, a ânsia pelo momento certo de cruzar olhares
De enlaçar línguas, de invadir-se em cheiros

É calma a esperar o soneto que guardo aqui,
Pacífico e revolto, na véspera de sair entre os dedos
Como se corressem feito o suor em meu corpo

É o voo das folhas, o passo da moça
A perna morena, a violência do olhar.
O negar-se por outros, é o chegar no momento
É um tormento tão doce, e se assim não foste, não era amar.

Foto: Mário de Oliveira

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Bernard Cornwell

por Solange Fonzar, colunista ONNE

Best seller virá ao Brasil para participar da Bienal do Livro do Rio

Considerado um dos mais importantes escritores britânicos da atualidade, o best seller Bernard Cornwell virá ao Brasil para participar da Bienal do Livro do Rio de Janeiro. O bate papo denominado, Mundos Históricos, Mundos Imaginários, acontecerá no Auditório Euclides da Cunha no dia 11 de setembro às 19h30, e terá como mediadora Celina Portocarrero.

Com mais de 40 livros publicados em mais de 16 idiomas, o autor é apaixonado por história e se destaca por misturar em suas obras, autenticidade histórica com personagens fictícios. Seus romances alcançaram rapidamente o topo das listas de mais vendidos em vários países, com mais de 4 milhões de exemplares comercializados em todo o mundo.

Além da participação no evento, a vinda do escritor ao Brasil lançará oficialmente seu novo romance, Azincourt. O livro narra a história do arqueiro inglês Nicholas Hook durante a batalha Azincourt, uma das mais grandiosas da História. Segundo informações divulgadas pelo próprio autor, o lançamento do livro é uma grande realização pessoal, pois Cornwell sempre quis escrever sobre o tema.


(Foto: Divulgação)

Veja a seguir a lista do que já foi publicado no Brasil:

• Azincourt, O Condenado e Stonehege - Grandes obras, que não pertencem a nenhuma trilogia ou série.

• A trilogia As Crônicas de Artur (O Rei do Inverno, O Inimigo de Deus, Excalibur) – Considerado o melhor trabalho do autor e também seu favorito, o livro conta a lenda de Artur sob um ponto de vista historicamente possível.

• Trilogia A Busca do Graal (O Arqueiro, O Andarilho, O Herege) - Em plena Guerra dos Cem Anos entre França e Inglaterra, o arqueiro inglês Thomas de Hookton cai na trilha do lendário Santo Graal e quer vingar a morte de seu pai assassinado.

• Série As aventuras de Sharpe (O Tigre de Sharpe, O Triunfo de Sharpe, A Fortaleza de Sharpe, Sharpe em Trafalgar, A Presa de Sharpe, Os Fuzileiros de Sharpe, A Devastação de Sharpe, num total de 21 livros, sendo 14 ainda inéditos no Brasil) - Os livros são sobre as aventuras do personagem Richard Sharpe no exército britânico durante o período Napoleônico, desde recruta na Índia até se tornar tenente-coronel em Sharpe's Waterloo.

• Série: As Crônicas Saxônicas (O Último Reino, O Cavaleiro da Morte, Os Senhores do Norte, A Canção da Espada e The Burning Land, ainda não lançado no Brasil) - Os livros narram a invasão dos Vikings na Inglaterra do século X, a história de Alfredo, o Grande vista pelos olhos de Uhtred, aristocrata inglês educado por vikings.

Fonte: http://msn.onne.com.br/cultura/materia/10287/bernard-cornwell

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Rua

Rua, nua de tortuosas imagens que percorrem teu coração
Rua, veredas tuas tão vorazes que me erguem ilusões
Rua de caminhos estreitos, eu que me perco em teus eixos
Que temo os dentes de tuas feras na esfera que vejo o futuro
Em cima do muro, como a cigana que leu a minha mão.

Trincheiras interrompem mil passagens onde findaram meus planos
Ando, em rumo incerto certo que estou perdido nas quimeras mais medonhas
Sonhando com essas minhas vadiagens que me deram tantos danos
Manco, por tuas ruas e avenidas que de certo também está perdida
Como um ciclope em um tufão.

Vêem-se ruas novas e esburacadas, vê-se que sofres tão caladas
Nessas urbes onde turbas tão dantescas movidas só pelos desejos
Foram por vezes o ensejo, o mote que vós tão bem rebatia
Com um solfejo de alegria, como uma mentira necessária
Como uma maquiagem de cor púrpura sobre a face anêmica.

Ruas, onde me levas não sei, não sei de nada
Por tuas bussolas obsoletas, perco-me em tuas setas
Que só me levam aos labirintos, dos teus mais feios instintos
Só me levam ao alçapão de teu coração

Foto: Fernando Jorge Lima
Fonte: http://olhares.aeiou.pt/rua_direita_de_viseu_foto1344192.html

sábado, 8 de agosto de 2009

A origem da minha espécie

Filho das palavras que truncam
Dos risos negados
Das regras que burlam
O que me foi tão negado

Filho das putas que gozam
Filho das rosas nos prados
Das lâminas das facas que podam
O que outrora foi sonhado

Filho de um câncer que come
Os nervos feitos d'aço
Filho da coragem que some
Filho das chagas e do cansaço

Venho da utopia mais rala
De quimeras medonhas
Ergo com a força motriz de quem sonha
E da placenta do impossível renasço

Imagem: Marcos Moreno
Site:http://br.olhares.com/bebe_del_desierto_foto2637692.html

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Mulher

Surgiste dos vapores da terra, das luzes do sol, dos mistérios da lua
Singular surgiu dos acordes das músicas, do rimar de meus versos
Surgiste então das trevas, das brumas com olhares perversos
Surgiste com o poder onipotente que eu como poeta, só tu'alma possua

Surgiste dos alísios soprados nas serras ou de um tufão
Das pétalas jogadas ao chão, das liras dispersas
Surgiste dos deuses gregos, maias, dos incas, dos persas
Surgiste como bálsamo para as chagas do malsão

Melaste com a cor de teus olhos, com calor de teu hálito
Com as mãos quais pétalas de uma flor singular
Surgiu em minha vida como a água em um páramo
Com as luzes que por milagre surgem numa treva sem par.

Foto: Geisa
Fonte: http://br.olhares.com/alma_de_mulher_foto1102719.html

quarta-feira, 29 de julho de 2009

QUASE LIBERDADE

Embora pouco, ainda tenho muito pensado
Na pena das asas dos anjos que tornam
A tocar minha face quando sonho,
Num sonho de bêbado onde as putas recitam poemas
Onde poetas recriam os mundos
Dourados como a cárie dos dentes dos bêbados
Que palitam sob a luz da lua,
Sob o som dos ratos, som da lembrança
Das danças fugazes, das valsas que dançastes
Entre moças e rapazes em sua velha juventude

Embora o acaso dos dias infindos
Onde sóis e luas carcomem o meu rosto
Onde letras carcomem meus olhos
A mente burila idéias de fuga dos mundos
Onde bigornas nos bolsos carrego
Onde grilhões me mordem os passos
Onde juízes me podam pecados

Eu voo, embora me queiram por perto
Eu voo, embora sorriam os gênios sem obras
Embora não exista Lei Áurea para casos perdidos
Para mendigos, putas ou bêbados,
Existe o sorriso que teima na treva
Existe para nós o que jamais tu percebeste
Um veneno mortal ou uma chave que nos dá asas
Chamada poesia.

Embora pouco, ainda tenho muito pensado
Embora peso, ainda muito tenho voado.

Imagem: Antonio Mateus
Fonte: http://br.olhares.com/

quarta-feira, 22 de julho de 2009

POEMA DE AMOR DE UM POETA FRIO

Eu que da placenta das quimeras
Arranquei meu sonho mais realista
E de lá, feito um pássaro ligeiro
Saiu você, nívea feito à nuvem,
Púrpura feito o entardecer,
Quente, de olhos negros
Feitos meus pensamentos mais tenebrosos

Nasce do pântano das minhas dores
Do balsamo das minhas ilusões
Dos delírios das minhas chagas
Achas neste pântano de fuligens
Uma alma tristonha, mas um coração em flores

Achas um rosto trigueiro e frio
Mas que não reflete em sua tez
A altivez do meu próprio brio
Pois amor surge em mim como bálsamo,
Uma gota de cada vez.

Imagem: André Ulysses de Salis

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Para que eu possa levitar

Poesia me leve para que eu possa levitar
Me leve para que eu possa sofrer
E depois vir te contar
Me leve nessa valsa, me leve nessa dança
Me solte desse grilhão para que eu possa
Nessas tuas tranças me enforcar

Poesia sorrir, me mostra teus dentes
Para que eu possa te mastigar
Para que possa te beber, mesmo sem te entender
E assim depois de tantos goles
De estrelas cadentes, de noites errantes
Eu possa levitar

Poesia me leve a escrever
Para que eu possa me libertar.

Foto: Alberto Orbegoso
Fonte: http://br.olhares.com/el_balet_municipal_de_lima_foto1221942.html

segunda-feira, 29 de junho de 2009

UNIVERSAL

O universo se estende sobre meus olhos
Como as chitas balançam ao sabor dos ventos no varal
E assim como colho a maçã e firo-a para ter seu sabor
Eu caminho passos errantes sobre a terrra,
Para que possa setinr-me universal.

Foto: Isadora Persone
Fonte:http://br.olhares.com/varal_foto1602050.html

terça-feira, 2 de junho de 2009

QUASE DELÍRIO

Eu que prometi jamais verter novamente meu olhar sobre ti
Voltei ao túmulo das ilusões perdidas
Voltei a agoar os lírios que outrora foram arrancados pela raiz
Voltei ao cocho antigo em que voavam prazeres onde bebia-os como uma fera sedenta
Cá estou, fronte de ti, musa dos pecados e dos desejos que ainda latejam
Latejam embora o pulso fraco, embora minuano e não vendaval
Embora polegadas, e não passos largos em direção ao horizonte


Eu que prometo com a mesma facilidade que desfaço promessas
Prometo que nunca mais retorno aqui, Íris de meus sofrimentos
Brida que me guia por falsas esperanças, com olhares de isca
Com trejeitos de ser minha, embora esteja apenas ao alcance de meus olhos
Delírio eterno jamais interrompido...
-Oi! Boa tarde.
Assustado acordo e respondo com um sorriso discreto:
-Boa.
-Mais café senhor?
-Não, não. Estou de saída... De saída...
... De saída para nunca mais voltar, até o próximo fim de tarde.

Foto: Pedro Monteiro